Transnordestina pode deixar estado nordestino por ponto estratégico no Norte
A concessionária Transnordestina Logística, controlada pela CSN, apresentou ao governo uma proposta para alterar o traçado de ligação da ferrovia com a Ferrovia Norte-Sul. A mudança prevê substituir a conexão que hoje seria feita no Maranhão por um novo ponto em Tocantins.
Segundo a proposta, o ramal deixaria de seguir de Eliseu Martins (PI) até Porto Franco (MA) e passaria a descer em direção a Guaraí (TO), integrando-se à malha ferroviária principal do país.
A empresa argumenta que o traçado previsto no Maranhão envolve maior complexidade fundiária, ambiental e urbana, além de potencial para conflitos em áreas já ocupadas. A alternativa por Tocantins, segundo a concessionária, reduziria interferências em áreas de proteção ambiental, terras indígenas e comunidades tradicionais, além de demandar menos obras de engenharia pesada.
O novo desenho teria cerca de 654 quilômetros, extensão semelhante à prevista na ligação original com o Maranhão.
O Ministério dos Transportes confirmou ter recebido a proposta e informou que avalia a mudança. A pasta afirmou que vai contratar estudos técnicos e econômicos para comparar as duas rotas e definir a alternativa mais viável para integração com a Norte-Sul e formação de um corredor logístico nacional.
A ligação da Transnordestina com a Norte-Sul é vista pelo governo como estratégica para escoamento da produção agrícola e integração com portos do Nordeste, especialmente na região do Matopiba.
O projeto da Transnordestina já passou por várias alterações ao longo das últimas décadas. A ferrovia foi concebida no início dos anos 2000 com cerca de 1.728 km, formando um traçado em “Y” com ramais para Suape (PE) e Pecém (CE). Após atrasos e revisões contratuais, o trecho para Pernambuco foi retirado e o foco passou a ser o corredor cearense.
Atualmente, a obra entre Eliseu Martins e o porto de Pecém, com mais de 1.200 km, está em fase avançada de execução, enquanto o governo também retomou separadamente o trecho pernambucano com recursos públicos.
A decisão sobre a conexão com a Norte-Sul ainda depende de análise técnica, licenciamento ambiental e definição do modelo de contratação.
Fonte: Revista Fórum






