Polícia

Tocantins registra dois feminicídios em uma semana

Duas mulheres foram vítimas de feminicídio na última semana de julho, no Tocantins. Os crimes foram registrados em Palmas e Araguaína, e os suspeitos são ex-companheiros das vítimas. As mortes acendem um alerta sobre a violência contra a mulher no estado.

Somente em julho, três mulheres foram assassinadas: Morgana Vieira Monteiro, de 45 anos, Tatiana Barbosa dos Santos, de 44 anos, e Ianca Pereira Moura.

Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, os casos de feminicídios aumentaram em 52,8% no ano passado, quando 20 mulheres foram mortas. Em 2024, 13 casos foram notificados. Os dados também apontaram um crescimento no descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência. Apenas em 2025, foram registrados 853 casos.

O tenente-coronel Gustavo Bolentini explicou que muitas vezes, antes do feminicídio, vários tipos de violência são cometidos contra a mulher.

Essa violência não acontece de imediato com a agressão física, com o feminicídio. Começa com xingamento, quebrando coisas dentro de casa, com ameaças, e isso vai escalonando. Então a gente orienta as mulheres que são vítimas desse tipo de situação a buscarem a separação e a denúncia da agressão”.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi questionada sobre as medidas que estão sendo adotadas, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

Mulheres assassinadas no Tocantins

Tatiana Barbosa

Na última quinta-feira (31), Tatiana Barbosa foi morta com cerca de 10 facadas e degolada em Araguaína. A vítima estava em casa com a prima, que é cadeirante, quando o ex-companheiro, Alcilon Dias de Oliveira, invadiu o local e cometeu o crime. Ele fugiu após o assassinato e foi preso horas depois pela Polícia Militar.

Segundo a PM, a mulher já havia sido agredida pelo ex-companheiro e tinha uma medida
protetiva contra ele. O crime é investigado pela 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à
Pessoa.

Morgana Monteiro

Outro caso que comoveu a população foi a morte da enfermeira Morgana Monteiro. O caso aconteceu no dia 27 de julho, em Palmas, depois que o ex-marido dela, Lelito Tavares Barbosa, pulou o muro da casa dela. Segundo a PM, a servidora foi morta com uso de arma de fogo e arma branca. A enfermeira deixou duas filhas.

Morgana também tinha uma medida protetiva contra o ex-marido. Depois de ter fugido do local do crime, Lelito morreu durante confronto com a PM.

Rozália Gonçalves

A merendeira, de 36 anos, foi assassinada a facadas no dia 1º de janeiro de 2026, em Araguaína. O corpo dela foi encontrado quatro dias depois em um terreno baldio. O ex companheiro, Raimundo Gomes da Silva, foi indiciado por feminicídio. Segundo a polícia, o crime teria sido motivado por ciúmes, já que ele não aceitava o pedido de separação e acreditava que Rozália estava o traindo.

O suspeito criou um perfil falso em um aplicativo de mensagens e marcou um encontro com a vítima. No local, ele atacou a mulher com vários golpes de faca.

Ingrid Lorane Negreiros

A jovem de 22 anos foi morta com golpes de faca em Palmas. O marido, que não teve o nome divulgado, foi preso horas após o crime. Testemunhas afirmaram à Polícia Militar que o homem estava em casa ingerindo bebida alcoólica antes do assassinato e, depois de matar a jovem, fugiu em uma moto. Ingrid deixou dois filhos.

Anisiana Pereira

A mulher de 32 anos foi encontrada morta às margens de uma estrada que liga Taguatinga a Luís Eduardo Magalhães (BA) no dia 16 de junho de 2026. O ex-companheiro, de 47 anos, foi preso enquanto tentava fugir para o Maranhão. Segundo a polícia, ele confessou o crime durante o interrogatório. Conforme a família, o casamento de Anisiana era marcado por um ciclo de violência e vídeo do
marido.

Anisiana Pereira da Silva foi encontrada morta entre Taguatinga (TO) e Luís Eduardo Magalhães (BA) (Reprodução/Arquivo pessoal)

Fonte: Jornal do Tocantins

Arimatéia Jr.

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