Editorial do Dia

Fogo amigo: campanha de Eli Borges mira Eduardo Gomes e destaca alinhamento de 64% com Lula

A disputa pelo Senado colocou em evidência as diferenças entre candidatos que integram o mesmo grupo político no Tocantins. Um levantamento com dados do Radar do Congresso passou a ser compartilhado por aliados do deputado federal e candidato ao Senado Eli Borges (Republicanos) para questionar o posicionamento do senador Eduardo Gomes (PL), um adversário nas urnas, mas aliado no palanque da candidata ao Governo Professora Dorinha (União Brasil).

O conteúdo destaca que Eduardo registra 64% de alinhamento com as orientações do Governo Lula nas votações do Senado, segundo o Radar do Congresso, plataforma mantida pelo portal Congresso em Foco. As informações estavam atualizadas até 19 de agosto de 2026.

O dado ganhou espaço na disputa eleitoral porque Eli e Eduardo concorrem ao Senado dentro do mesmo grupo político. Ambos apoiam Dorinha, integram o campo conservador e mantêm ligação com o bolsonarismo. Até abril deste ano, os dois também estavam no mesmo partido. Eli deixou o PL e se filiou ao Republicanos para disputar o Senado com o apoio do governador Wanderlei Barbosa. A filiação foi oficializada em 2 de abril.

A partir do levantamento, aliados de Eli passaram a questionar como um senador filiado ao PL, principal partido de oposição ao presidente Lula, alcançou esse percentual de alinhamento nas votações monitoradas.

“Como um senador do PL, partido de oposição ao governo Lula, chegou a 64% de alinhamento nas votações monitoradas pelo Radar do Congresso?”, questiona o conteúdo compartilhado com a imprensa.

O que significa o índice

O percentual não significa que Eduardo Gomes votou com Lula em 64% de todas as decisões do Senado. O índice considera as votações nas quais houve orientação do líder do Governo. Quando o senador acompanha essa orientação, o percentual aumenta. Votos contrários, abstenções ou ausências reduzem o indicador.

Um dos exemplos apresentados foi a votação do novo arcabouço fiscal, em junho de 2023. Eduardo votou a favor do texto, aprovado por 57 votos a 17. A proposta estabeleceu novas regras para as despesas públicas e substituiu o teto de gastos.

O placar amplo também demonstra que o projeto recebeu apoio de senadores de diferentes partidos, e não somente de integrantes da base governista.

O índice de 64% atribuído a Eduardo consta no Radar do Congresso. O próprio presidente Lula já agradeceu publicamente ao senador tocantinense pelo apoio a matérias de interesse do Governo Federal. A declaração ocorreu durante uma visita presidencial a Araguatins, em junho de 2025.

“Eduardo Gomes, que não está aqui, mas é um companheiro do PL que tem votado muitas coisas de interesse do governo no Senado da República”, afirmou Lula na ocasião.

Levantamento repercute na disputa interna

Embora estejam reunidos no mesmo palanque estadual, Eli e Eduardo são concorrentes diretos. Como o Tocantins elegerá dois senadores, o grupo governista reúne várias candidaturas que disputam o mesmo eleitorado, entre elas as de Eduardo Gomes, Eli Borges, Carlos Gaguim e Ronaldo Dimas.

A divulgação do levantamento por aliados de Eli também reforça a tentativa de apresentar o deputado como um representante mais identificado com a direita e com o eleitorado evangélico. O candidato vem nacionalizando sua campanha e divulgando apoios de lideranças conservadoras de outros estados.

A repercussão do conteúdo mostra que, apesar do discurso de unidade em torno da candidatura de Dorinha ao Governo, os concorrentes ao Senado começam a explorar diferenças de atuação e posicionamento político na busca pelos votos do eleitorado conservador.

Por Conteúdo AF Notícias

Arimatéia Jr.

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