Polícia

Denúncia detalha como policial civil matou filho de vereador

Ronaldo Pereira da Rocha é oficial investigador na 94ª Delegacia de Polícia em Peixe (Reprodução/Facebook de Ronaldo)

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) contra o policial civil Ronaldo Pereira da Rocha detalha a dinâmica que culminou na morte de Luciano Ferreira da Silva e Silva, de 28 anos.

Filho do vereador Lindomar Gomes da Silva, o Preto das Máquinas, o jovem acabou atingido por um disparo no abdômen durante uma confusão na Praia do Porto Franco, em Couto Magalhães, no norte do estado.

Com base na peça da 1ª Promotoria de Justiça de Colinas do Tocantins e na decisão da 1ª Vara Criminal que acolheu a acusação, o caso tramita como homicídio qualificado por motivo fútil. A Justiça determinou a citação do agente, que ainda não constituiu advogado no processo.

Desentendimento

Segundo a acusação assinada pelo promotor Denys César dos Santos Silva, o conflito teve início quando o policial utilizava mesas de uma barraca na praia na companhia de familiares e levou caixas térmicas particulares. Diante do descumprimento das regras do comércio sobre o uso de recipientes próprios, começou uma discussão entre o policial e o dono do estabelecimento, Dorivan Xavier Silva Rocha.

Após o bate-boca, o agente recolheu os pertences e caminhou até o estacionamento. Minutos depois, contudo, retornou em passos rápidos pela rampa de acesso empunhando um revólver. Para se proteger, o comerciante arremessou uma caixa térmica vazia na direção do policial, dando início a uma luta corporal entre os dois.

Intervenção e tiro do chão

A denúncia relata que Luciano Ferreira, que possuía deficiência física e atuava como garçom na temporada de praia, agiu desarmado apenas para apartar a briga e encerrar o tumulto. O rapaz segurou o comerciante e aplicou uma rasteira em Ronaldo no momento em que o policial tentava se levantar.

Ao cair no chão, ainda segurando a arma de fogo, o policial efetuou um tiro de baixo para cima diretamente contra a barriga de Luciano. Em seguida, o servidor público levantou-se, apontou o revólver para banhistas que estavam no local e fugiu em seu automóvel.

A vítima recebeu socorro imediato e seguiu para atendimento médico na região, mas acabou morto. Horas depois, Ronaldo compareceu espontaneamente à Delegacia de Polícia de Guaraí, onde entregou a arma utilizada. Ele responde ao processo em liberdade.

Processo e citação

A juíza Ana Priscila da Cruz Dias recebeu integralmente a denúncia e manteve a qualificadora de motivo fútil, considerando a manifesta desproporção entre a motivação inicial e o disparo efetuado. A magistrada estabeleceu o prazo de 10 dias para que Ronaldo apresente resposta escrita à acusação.

De acordo com informações apuradas pela reportagem, o réu ainda não constituiu advogado e passará por citação pessoal para tomar ciência da ação penal. Caso não indique defensor próprio dentro do prazo legal, a magistrada nomeará um defensor dativo para representá-lo.

Na peça acusatória, o MPTO pede a pronúncia do policial ao Tribunal do Júri, a decretação da perda do cargo público e o pagamento de indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima. A juíza determinou que esses dois últimos pedidos tenham análise apenas em eventual sentença condenatória.

Entenda o caso

A vítima: Luciano Ferreira da Silva e Silva tinha 28 anos e era filho do vereador Lindomar Gomes da Silva (PT), conhecido como Preto das Máquinas. Bastante querido pela comunidade de Couto Magalhães, o jovem apresentava uma limitação motora em um dos braços e ajudava nos serviços durante o período de praia.

O acusado: Ronaldo Pereira da Rocha atua como oficial investigador da Polícia Civil. Conforme a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO), ele cumpre licença médica desde 24 de fevereiro de 2026 e não exerce atividades na corporação.

O rito processual: A ação penal tramita sob as normas do Tribunal do Júri, específico para crimes dolosos contra a vida. Após a manifestação da defesa, a oitiva das testemunhas e o interrogatório do réu, o Judiciário decidirá se levará o policial a julgamento popular perante o Conselho de Sentença.

Por ‘Jornal do Tocantins’

Arimatéia Jr.

Arimatéia Jr.

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