Eleições 2026: Maranhão soma 105 menções em planos de governo, mas poluição do ar e queimadas ficam em segundo plano
A pesquisa revelou que, embora termos ligados à mudança do clima e à poluição apareçam em 35% das páginas analisadas
Um levantamento inédito e apartidário do Instituto Ar analisou 2.319 páginas dos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a Presidência da República e para os governos de São Paulo, Rio Grande do Sul e Maranhão. A pesquisa revelou que, embora termos ligados à mudança do clima e à poluição apareçam em 35% (815) das páginas analisadas, apenas seis delas apresentam metas reais e verificáveis.
O estudo escolheu três estados estratégicos no país com base em critérios ambientais e populacionais críticos. O Maranhão, por estar localizado na transição entre a Amazônia e o Cerrado, ganhou destaque no levantamento por ter liderado o país em focos de incêndios em 2025 — fator que agrava diretamente os problemas respiratórios e cardiovasculares da população local.
O Maranhão no levantamento
Entre as 8 candidaturas ao Governo do Maranhão analisadas:
- Total de trechos mapeados: foram identificados 105 trechos relacionados às pautas de clima, adaptação, mitigação e saúde.
- Poluição do ar: apesar do alto índice de queimadas que afeta a qualidade do ar no estado, o tema da poluição do ar aparece em apenas 5 trechos.
- Impactos na saúde: assim como na média nacional, a relação direta entre o clima e os impactos na saúde da população do Maranhão quase não é abordada nos documentos de proposta de gestão.
No total, foram analisados 34 planos de governo (13 para a Presidência, 8 para o Maranhão, 7 para o Rio Grande do Sul e 6 para São Paulo). Os impactos do clima na saúde humana aparecem em apenas nove dos 34 planos, e a poluição do ar é tratada em apenas sete.
A escolha do eixo de saúde é o principal diferencial do estudo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) associa a poluição do ar a cerca de 7 milhões de mortes prematuras por ano, enquanto a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que alterações climáticas afetam a dinâmica de doenças tropicais muito presentes na região, como dengue e malária.
“O que os planos mostram é que a relação entre clima e saúde aparece prevalentemente ligada a eventos extremos: depois que enchentes ou secas já aconteceram. Nosso papel é tornar isso visível, com transparência, para que a sociedade se aproprie do tema e vote com a pauta da saúde e do clima com maior peso em suas escolhas”, afirma Evangelina Araújo, diretora do Instituto Ar.
O que a ciência recomenda
Juntamente com o levantamento, o Instituto Ar e o movimento Médicos pelo Clima publicaram a nota técnica “Diretrizes para Avaliação de Planos de Governo nas Agendas de Clima, Ar e Saúde”. O documento traz recomendações fundamentais para estados com os desafios do Maranhão:
- Queimadas e Poluição do Ar: garantir protocolos no SUS para os períodos de fumaça de queimadas, com estoques de oxigênio e medicamentos para doenças respiratórias, além de expandir a rede de monitoramento da qualidade do ar.
- Controle do Desmatamento: combater as queimadas e o desmatamento, que são as principais fontes de emissões no país.
- Vigilância em Saúde: integrar dados do SUS a modelos meteorológicos para prever surtos de doenças como dengue e malária semanas antes de a rede hospitalar lotar.
- Adaptação: adotar soluções baseadas na natureza para conter eventos extremos e criar planos contra o calor intenso.
Como acessar os dados
Todos os trechos transcritos literalmente, com indicação de página e classificação (compromisso, relato ou citação), estão reunidos em um painel público de monitoramento. O acesso pode ser feito pelo link Monitor Saúde e Clima nas Eleições — Instituto Ar.





