O que Braide leva de São Luís e o que terá de enfrentar no governo do Maranhão
A escolha de integrantes da equipe de transição de Eduardo Braide (PSD) colocou antigos auxiliares da Prefeitura de São Luís no centro da preparação para o novo governo do Maranhão. A composição abre o debate acerca do eventual modelo de administração a ser adotado pelo governador eleito, a partir de 2027, no Palácio dos Leões.
Entre alguns dos nomes anunciados estão Caroline Marques Salgado, a secretária municipal de Educação, e os economistas Simão Cirineu Dias e José de Jesus Azzolini, que atuaram nas áreas de planejamento e Fazenda de São Luís durante a gestão de Braide. A presença de profissionais que já trabalharam com o governador eleito pode facilitar a transição ao reunir auxiliares familiarizados com seus métodos de gestão, embora a presença nessa etapa não signifique, necessariamente, permanência no secretariado estadual.
A escolha também abre espaço para que práticas administrativas desenvolvidas em São Luís, de 2021 até o início de 2026, sejam consideradas na organização do governo. O alcance dessa continuidade, no entanto, dependerá das decisões tomadas nos próximos meses e das diferenças entre o exercício político municipal e a coordenação de políticas públicas em todo o Maranhão.
Da Prefeitura para o Palácio dos Leões
A experiência municipal de Braide tende a estabelecer referências para a organização da nova administração, especialmente em áreas nas quais a Prefeitura desenvolveu programas próprios e concentrou investimentos. Programas como o Escola Nova, voltado à reforma e à construção de unidades de ensino; o Asfalto Novo, dedicado à pavimentação de ruas; e o Trânsito Livre, que reúne intervenções para reorganizar a circulação de veículos, foram algumas das principais iniciativas desenvolvidas no antigo governo municipal.
A eventual adoção de iniciativas semelhantes no governo estadual exigirá adaptação à realidade dos municípios maranhenses e às atribuições do Estado. A mudança de escala também impõe diferenças importantes: enquanto a Prefeitura responde diretamente por serviços municipais, o governo estadual precisa coordenar políticas regionais, administrar uma rede mais ampla de equipamentos públicos e articular ações com as 217 prefeituras maranhenses.
Na educação, por exemplo, a experiência da administração municipal pode oferecer referências sobre gestão de escolas e execução de obras. No âmbito estadual, entretanto, as prioridades incluem a rede de ensino médio e a articulação com municípios responsáveis por outras etapas da educação básica.
Equipe indica primeiro passo para futuro governo
A presença de auxiliares conhecidos na transição pode facilitar o diálogo entre a experiência acumulada em São Luís e o planejamento da nova gestão. Também permite que profissionais familiarizados com os métodos administrativos de Braide participem do levantamento de informações sobre contratos, despesas e programas em andamento no Maranhão.
A montagem do secretariado – ainda em elaboração – será um dos sinais mais concretos sobre a estratégia do governador eleito. A possível permanência de auxiliares da capital se soma à escolha de novos nomes com experiência estadual e a distribuição de responsabilidades. Estes elementos poderão indicar como Braide pretende combinar continuidade administrativa e adaptação à estrutura do Maranhão.
Adaptação da experiência municipal requer desafios
A passagem da Prefeitura para o governo estadual também ampliará a escala dos desafios administrativos. Na infraestrutura, a Pesquisa CNT de Rodovias de 2023 identificou problemas em 88,2% dos 4.685 quilômetros de rodovias pavimentadas avaliados no Maranhão, classificados como regulares, ruins ou péssimos.
No saneamento, o Censo 2022 do IBGE mostrou que apenas 15,17% dos moradores do estado tinham esgotamento sanitário por rede geral ou pluvial, enquanto 50,25% viviam em domicílios com fossas rudimentares ou buracos. Os indicadores mostram que a adaptação de experiências municipais ao governo estadual terá de considerar problemas que ultrapassam a pavimentação urbana e a mera reforma de equipamentos públicos.
A adaptação da experiência municipal ao governo estadual também dependerá das condições fiscais do Maranhão. Entre janeiro e abril de 2025, a despesa com pessoal do Executivo correspondia a 33,19% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite máximo de 49% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
A dívida consolidada líquida, por sua vez, era negativa em R$ 1,9 bilhão. Os indicadores oferecem uma referência sobre o cenário fiscal do Estado naquele período, mas a margem para novos investimentos dependerá também do modo como evoluem as receitas do Estado, despesas obrigatórias e compromissos já assumidos pela administração do atual governo de Carlos Brandão.





