Saiba quem é o jovem de 17 anos que passou em medicina na federal e imaginou que era sonho
Fernando Abreu Miranda passou para o curso de medicina na Universidade Federal do Tocantins (UFT) após dividir horas entre estudos e trabalho na roça com seu pai. O estudante é morador de Itaporã, na região norte do Tocantins, e durante o ensino médio, percorria 20 km todos os dias para estudar em um colégio militar na cidade de Colinas do Tocantins.
“Eu ficava sempre estudando nas horas vagas e tinha uma rotina bem organizada. Às vezes eu tinha que mudar alguma coisa, ir trabalhar e tinha que estudar de noite. Depois de um tempo, passei a estudar na parte da manhã e de noite também”, disse.
A rotina de estudos iniciou em dezembro de 2024 e seguiu até a data do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), em novembro de 2025.
Além das aulas na escola, Fernando passou a dedicar cerca de 4 a 5 horas diárias aos estudos e intensificou as aulas com a aproximação do Enem. Ele chegou a dedicar 10 horas de estudos diárias.
De farmácia para medicina
Medicina não era a primeira opção de Fernando. A sua escolha seria o curso de farmácia, mas durante a inscrição do Sisu decidiu mudar de graduação. “Coloquei minha nota por acaso, nem pensava que eu iria conseguir passar”, confessou.
A notícia de que seria o mais novo estudante do curso de medicina veio de forma inusitada, quando acordou de madrugada depois de uma queda de energia. Chovia forte em Itaporã e depois que a luz voltou, Fernando decidiu olhar o resultado do Sisu.
Ao olhar a lista, se surpreendeu ao ver o próprio nome na lista de chamada e, por um momento, achou que estava sonhando.
Acordei de madrugada e vi que a energia tinha voltado. Então falei: ‘Vou olhar, né, se saiu o resultado’, e olhei. Vi lá que tinha sido chamado na chamada regular do Sisu. Fui conferir e foi quando pensei: ‘Devo estar sonhando’, e dormi de novo. Quando acordei, estava realmente lá, chamado”, disse em entrevista à TV Anhanguera.
Mudança para Palmas
Como as aulas na UFT começam no dia 23 de fevereiro, Fernando já começou a organizar a mudança para Palmas, que fica a 250 quilômetros de Itaporã. Para ficar na capital, o jovem de 17 anos pretende solicitar o auxílio permanência da universidade.
“Está sendo assim um pouco puxado, porque a família é de baixa renda e vai ter que sofrer muito. E vão ser anos de vacas magras. Vou ficar com a minha prima por alguns dias até eu me acostumar com a cidade. Pelo que eu vi é muito difícil achar alguma casa ou kitnet para alugar. E é muito caro o aluguel”, contou.





