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Vacina contra dengue, do Butantan, é suspensa em todo Brasil após reações adversas graves

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (08/06) a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves. A medida tem caráter preventivo e permanecerá em vigor até a conclusão das investigações conduzidas pelo governo federal, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo próprio instituto.

A decisão afeta exclusivamente o imunizante do Butantan que vinha sendo aplicado em profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto realizados em municípios selecionados do país. A vacina contra a dengue atualmente oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos continua sendo aplicada normalmente e não está relacionada à investigação.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva de imprensa em Brasília. Segundo ele, cerca de 500 mil doses já haviam sido aplicadas quando os primeiros sinais de alerta foram identificados pelos mecanismos de monitoramento pós-vacinação.

De acordo com o ministro, entre os registros analisados há ocorrências que não haviam sido observadas durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante.

Identificamos 42 episódios de reações mais severas temporalmente associadas ao momento da vacinação. Algumas delas não haviam sido observadas nas fases de pesquisa clínica realizadas anteriormente”, afirmou.

Casos graves e dois óbitos estão sendo investigados

Entre os 42 episódios registrados, três são classificados como graves, incluindo dois óbitos que estão sendo investigados pelas autoridades sanitárias.

O Ministério da Saúde ressaltou, porém, que não existem elementos que permitam afirmar, neste momento, que as mortes ou os demais casos graves tenham sido causados pela vacina.

Segundo Padilha, as investigações realizadas até agora não encontraram evidências suficientes para estabelecer uma relação de causalidade entre a aplicação do imunizante e os eventos registrados.

Não há informações suficientes para afirmar que esses óbitos tenham sido provocados pela vacina. Também não existem dados conclusivos para relacionar diretamente o imunizante aos demais casos graves. O que existe é um sinal de alerta que exige investigação aprofundada”, explicou.

Os 42 episódios representam aproximadamente oito ocorrências graves para cada 100 mil doses aplicadas. Apesar da baixa incidência, o Ministério da Saúde decidiu interromper temporariamente a estratégia por precaução.

Região do Araguaia está entre as áreas afetadas

A suspensão atinge a vacinação de profissionais da atenção primária à saúde em todo o país e também os projetos-piloto que estavam em andamento em Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Ibaranguá (CE) e no Tocantins.

A vacina foi destinada à região do Médio Norte Araguaia, no Tocantins, especificamente com o foco em 17 municípios. A imunização teve início em fevereiro de 2026 para profissionais de saúde e estendeu-se para a população de 15 a 59 anos no mês de abril.

Fazem parte da região os municípios de Aragominas, Araguaína, Araguanã, Babaçulândia, Barra do Ouro, Campos Lindos, Carmolândia, Darcinópolis, Filadélfia, Goiatins, Muricilândia, Nova Olinda, Pau D’Arco, Piraquê, Santa Fé do Araguaia, Wanderlândia e Xambioá. O Dia D de vacinação ocorreu em 18 de abril.

O Ministério da Saúde informou que estados e municípios receberão orientações técnicas para interromper imediatamente a aplicação das doses enquanto as investigações prosseguem.

Vacinas serão mantidas armazenadas

O Ministério da Saúde esclareceu que as doses já distribuídas não serão descartadas.

Como a suspensão é temporária, a orientação é que os imunizantes permaneçam armazenados nas redes de frio dos estados e municípios até a conclusão das análises.

Não é o momento de descartar vacinas. É uma interrupção preventiva para que possamos aprofundar as investigações”, afirmou o ministro.

Vacina do SUS segue sendo aplicada normalmente

A pasta também fez questão de diferenciar a vacina investigada daquela atualmente disponibilizada pelo SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, o imunizante utilizado na rede pública não faz parte da investigação anunciada nesta segunda-feira e segue sendo aplicado normalmente em todo o país.

A orientação é que pais e responsáveis continuem levando crianças e adolescentes para receber a vacina conforme o calendário de imunização.

Quem já recebeu a vacina continua protegido

O Ministério da Saúde também buscou tranquilizar as pessoas que já receberam a vacina do Butantan.

Segundo Alexandre Padilha, os estudos realizados até o momento demonstram proteção contra os quatro sorotipos da dengue, e não há recomendação para qualquer medida específica por parte de quem já foi vacinado.

A pasta informou apenas que fará um acompanhamento mais próximo das pessoas imunizadas nos últimos 21 dias para monitorar possíveis sinais de alerta e ampliar a coleta de informações para as investigações.

Investigação será ampliada

A suspensão temporária foi aprovada por consenso pelo Comitê Nacional de Farmacovigilância e apresentada ao Comitê Técnico Assessor em Imunizações (CTAI), responsável por auxiliar o Programa Nacional de Imunizações na definição de estratégias de vacinação.

Agora, as equipes técnicas irão analisar detalhadamente os 42 episódios registrados, buscando identificar possíveis fatores em comum entre os pacientes, além de verificar aspectos relacionados ao armazenamento, transporte e aplicação das doses.

Segundo o Ministério da Saúde, a decisão segue o princípio da precaução adotado internacionalmente em programas de imunização e tem como objetivo garantir a máxima segurança da população enquanto todas as hipóteses são avaliadas.

Apesar da suspensão temporária da estratégia envolvendo a vacina do Butantan, o governo federal reforçou que a vacinação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção contra a dengue e destacou que o país registrou redução expressiva de casos e mortes pela doença nos últimos anos.

Publicada por ‘AF Noticias’

Arimatéia Jr.

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