Marrone, da dupla com Bruno, perdeu parte da visão por doença nos olhos: ‘Fiquei muito depressivo’

A comemoração dos 70 anos da Festa do Peão de Barretos reúne grandes nomes da música sertaneja em uma programação especial da TV Globo. Entre os destaques, estão Bruno & Marrone, dupla que marcou gerações com sucessos românticos e que carrega em sua trajetória histórias de superação. Marrone, em especial, vem dividindo com o público momentos delicados relacionados à saúde e ao emocional.
Diagnóstico de glaucoma hereditário
Em junho de 2024, Marrone descobriu um agravamento assintomático do glaucoma, doença hereditária que já havia atingido sua mãe e outros familiares. De acordo com o oftalmologista José Beniz Neto, que acompanha o caso, a enfermidade foi identificada após o cantor procurar o hospital sentindo dores de cabeça, embora os sintomas não estivessem ligados diretamente à condição.
“Ele conta que a sua mãe teve glaucoma e que alguns parentes têm glaucoma diagnosticado já. Então, no caso dele, é um fator hereditário”, explicou o médico em entrevista ao g1 Goiás.
O artista já fazia uso de colírios corretamente receitados, o que ajudava a manter a pressão ocular sob controle. Porém, os exames apontaram uma “escavação significativa do nervo óptico”, sinal de glaucoma avançado, o que levou os médicos a recomendarem uma cirurgia urgente.
Cirurgia e tratamento para toda a vida
A operação foi realizada em ambos os olhos, em Goiânia, no dia 17 de junho de 2024. Marrone perdeu parte da visão periférica, mas recebeu alta e segue em recuperação.
Segundo o oftalmologista Francisco Eduardo Lima, que também integra a equipe médica, o glaucoma não tem cura, exigindo acompanhamento vitalício. “Para todos que já operaram de glaucoma: seu problema não está resolvido, fique perto do seu médico, continue o acompanhamento pelo resto da sua vida. A cirurgia pode deixar de funcionar, mas nós temos outras técnicas para utilizar; o importante é controlar a pressão do olho”, afirmou.
Apesar das limitações, os médicos destacam que o cantor pode seguir sua rotina e continuar nos palcos, desde que mantenha o controle da doença.
Depressão e crises de ansiedade
Além dos desafios físicos, Marrone também abriu o coração sobre os impactos emocionais da doença. Em julho de 2025, durante participação no programa “Viver Sertanejo”, da TV Globo, ele falou sobre o período de depressão e ansiedade vivido após a cirurgia.
“Já passei muitas fases difíceis na vida. O glaucoma que fiz agora não foi fácil, só a gente que passa e Deus mesmo. Fiquei muito depressivo, crise de ansiedade mesmo que tive”, revelou.
O cantor também contou que chegou a ter dificuldades antes de subir no palco. “Já me deu ânsia de vômito, medo de entrar no palco, ansiedade louca, depressão. Graças a Deus eu conseguia fazer o show”, completou.
Apoio de Bruno e parceria duradoura
No mesmo programa, Bruno destacou as diferenças de personalidade entre os dois e como isso ajuda a manter o equilíbrio da dupla. “Eu sou agitasíssimo, muito ansioso, elétrico, gosto de sempre estar fazendo alguma coisa… Se fosse um cara como eu não ia dar certo, não”, disse. Essa complementaridade é apontada por eles como um dos segredos para a parceria de décadas que os levou ao sucesso.