Polícia

PM é investigado por integrar braço financeiro de organização que lavava dinheiro do tráfico no TO

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/TO) investiga o envolvimento de um
policial militar do Maranhão no núcleo financeiro de uma organização criminosa interestadual
suspeita de lavar dinheiro do tráfico de drogas. O caso é apurado na Operação Serras Gerais III,
que mira o esquema responsável por ocultar e movimentar recursos ilícitos da facção.

Segundo as investigações, o militar teria atuado como ex-sócio de uma construtora utilizada
para o branqueamento de capitais da organização. A empresa seria uma das estruturas usadas
para dar aparência legal ao dinheiro obtido com atividades criminosas.

A apuração aponta ainda que integrantes do grupo movimentaram valores milionários em curto
período. Dois irmãos, residentes em Imperatriz, no Maranhão, teriam operado cerca de R$ 14,6
milhões em apenas 50 dias. Para isso, utilizavam uma papelaria de fachada e um banco
clandestino sem autorização do Banco Central do Brasil para realizar as transações

Conexão em Goiás e Maranhão

As investigações também identificaram ramificações do esquema em Goiânia, no Goiás. No
local, uma revenda de veículos seria utilizada para transformar recursos provenientes do tráfico
aéreo de drogas em bens com aparência lícita.

De acordo com os investigadores, o estabelecimento teria sido administrado por pessoas que
cumpriam pena em regime fechado, o que indicaria uma tentativa de driblar a fiscalização e
manter o funcionamento do esquema. O grupo também utilizava endereços inconsistentes e
nomes de “laranjas” para ocultar os verdadeiros responsáveis pela organização.

A operação resultou no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão nos dois
estados. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos bancários e fiscais dos investigados
para aprofundar a identificação da participação de cada integrante no esquema.

Ação das forças de segurança mira estrutura financeira de organização criminosa responsável por movimentar dinheiro do tráfico no Tocantins (Divulgação/Ficco-TO)

Transações rápidas e empresas de fachada

Durante a análise técnica, os investigadores identificaram que o grupo utilizava uma fintech
para realizar transferências rápidas e dificultar o rastreamento do dinheiro. Empresas de
fachada e contas vinculadas a terceiros eram usadas para movimentar os recursos obtidos com
o tráfico de drogas.

As autoridades acreditam que esse modelo permitia à organização ocultar a origem ilícita dos
valores e integrá-los à economia formal por meio da compra de bens e investimentos.

Crimes investigados

Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, lavagem de
dinheiro e tráfico de drogas. Também são apuradas fraudes fiscais relacionadas ao uso deempresas fictícias para encobrir a movimentação financeira.

Somadas, as penas previstas para esses crimes podem ultrapassar 30 anos de prisão.

Entenda o caso

A Operação Serras Gerais III faz parte de uma série de investigações conduzidas pela Ficco
para desarticular o sistema financeiro de facções criminosas que atuam no Tocantins e em
estados vizinhos.

Em etapas anteriores das investigações, autoridades identificaram o uso de instituições de
pagamento e transferências via PIX para movimentar grandes quantias de dinheiro ligadas ao
tráfico. Em um dos casos, uma empresa teria movimentado cerca de R$ 9 milhões em
operações suspeitas associadas à facção criminosa.

Agora, com a análise de celulares e computadores apreendidos na nova fase da operação, os
investigadores buscam identificar outros empresários ou agentes públicos que possam ter
colaborado com o braço financeiro da organização.

Operação mira núcleo financeiro de facção suspeita de lavar dinheiro do tráfico por meio da compra de itens de luxo no Tocantins (Divulgação/Ficco-TO)

Fonte: Jornal do Tocantins (Por Rafael Pontes)

Arimatéia Jr.

Arimatéia Jr.

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