REFLEXÃO: Ex-secretário alvo da PF reflete sobre bajulação no poder e abandono após perder o cargo
O ex-secretário executivo da Educação do Tocantins, Éder Martins Fernandes, fez um desabafo nas redes sociais, afirmando que aprendeu “da forma mais dura e necessária” a diferença entre prestígio político e reconhecimento pessoal após deixar o cargo e enfrentar investigações da Polícia Federal.
Em vídeo publicado recentemente, Edinho Fernandes disse que, durante o período em que ocupou funções públicas, vivia momentos de grande visibilidade, mas que a situação mudou após sua saída do governo.
“Muitos de vocês me acompanharam em cargos de destaque, em momentos de visibilidade e decisão. Naquela época, o telefone não parava. Eram convites, tapinhas nas costas, elogios constantes e uma multidão que parecia nunca diminuir”, afirmou.
Segundo ele, a experiência o levou a concluir que parte do apoio recebido estava ligada ao cargo que ocupava. “Aprendi da forma mais dura e necessária que existe uma diferença gigante entre ser estimado e ser útil”, declarou.
Bajulação e isolamento
No vídeo, Edinho avalia que muitas relações eram motivadas pela influência política que exercia. “Muitas vezes as pessoas não estavam seguindo a mim, mas a cadeira que eu ocupava. Elas não curtiam quem eu era, mas o que eu podia oferecer ou a influência que eu representava”, disse.
Ele acrescentou que a perda de visibilidade política trouxe mudanças no convívio social. “Quando a luz se apaga, quando o cargo se vai, o silêncio se instala. É o momento em que a bajulação dá lugar ao vácuo.”
O ex-gestor também comentou a redução de interações em suas redes sociais após deixar o cargo. Segundo ele, “perder números não é perder valor”, referindo-se à diminuição de seguidores e curtidas.
Preso em operação
Edinho Fernandes foi preso em 2025 durante a oitava fase da operação Polícia Federal do Brasil denominada Operação Overclean, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, ele e outro servidor teriam monitorado a sede da Polícia Federal em Palmas com o objetivo de antecipar ações policiais e alertar investigados.
Posteriormente, as prisões foram revogadas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a substituição por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Mensagem
Na publicação, o ex-secretário afirmou que passou a valorizar mais as relações pessoais após deixar o cargo público.
“Ficaram os poucos, mas ficaram os verdadeiros. Ficaram aqueles que me veem como pai, como amigo, como um homem de Deus, e não como um título no Diário Oficial”, disse.
Ele concluiu a mensagem afirmando que o valor das pessoas não depende da posição que ocupam. Segundo Edinho, “as luzes se apagaram para que eu pudesse ver quem realmente tem luz própria para iluminar o caminho comigo”.
Por Auro Giuliano | AF Notícias





