Editorial do Dia

ESTRATÉGIA POLÍTICA: A hipocrisia do esquerdista

Há uma estratégia política conhecida e recorrente; atribuir ao adversário os próprios defeitos para desviar o foco das próprias contradições.

Na disputa pelo poder, essa técnica transforma o debate em um espelho invertido, onde a acusação serve menos para descrever a realidade e mais para esconder as próprias fragilidades.

Quando um discurso se apresenta como o único guardião da moralidade, da justiça social ou da ética, a prudência recomenda examinar seus atos antes de aplaudir suas palavras.

Afinal, a coerência não se mede pelos discursos inflamados, mas pelas escolhas feitas quando ninguém está olhando.

É por isso que tantas pessoas enxergam hipocrisia em setores da esquerda brasileira. Enquanto apontam o dedo para adversários sob a bandeira do combate à corrupção, convivem com escândalos que marcaram sua própria trajetória política.

Enquanto proclamam a defesa dos mais pobres, frequentemente são cobrados pelos resultados concretos de políticas públicas que não conseguiram romper o ciclo da pobreza.

E, quando defendem democracia e tolerância, muitas vezes reagem com intolerância às críticas e procuram desqualificar quem pensa diferente.

Na política, palavras custam pouco. O que realmente vale são os fatos.

Quem acusa precisa estar disposto a ser examinado com o mesmo rigor que exige dos outros.

Quem se apresenta como exemplo deve aceitar que sua conduta seja confrontada com suas promessas.

A democracia não precisa de santos autoproclamados nem de monopolistas da virtude.
Precisa de cidadãos capazes de desconfiar tanto da propaganda quanto da idolatria.

Porque, quando um grupo passa a acreditar que jamais erra, deixa de fazer política e começa a praticar um culto.

E todo culto substitui a verdade pela conveniência, a autocrítica pela propaganda e a responsabilidade pelo discurso.

No fim, o eleitor atento aprende uma lição simples; desconfie sempre de quem vive acusando os outros de exatamente tudo aquilo que se recusa a reconhecer em si mesmo.

Por Romildo Leite (Palmas/TO)

Arimatéia Jr.

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