El Niño no Maranhão: I Fórum dos Desafios Climáticos debate planejamento e resiliência no campo
“O agricultor não está só”. Foi com essa frase que a secretária de Estado da Agricultura e Pecuária do Maranhão, Jucielly Oliveira, abriu o I Fórum dos Desafios Climáticos: El Niño e os Impactos para a Produção Agropecuária Maranhense, realizado sexta-feira (11), como parte da programação da Expoema, em São Luís. Com o objetivo de integrar o conhecimento agrometeorológico, a extensão rural e a realidade dos produtores do campo, o encontro reuniu mais de cem participantes.
Promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAGRIMA), por meio do Centro Estadual de Monitoramento Agrometeorológico (CEMAM), em parceria com a Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (AGERP) e a Superintendência Federal de Agricultura no Maranhão (SFA-MA), o evento uniu ciência e planejamento preventivo para mitigar os impactos do El Niño no campo.
A abertura contou com a presença da secretária de Estado da Agricultura e Pecuária, Jucielly Oliveira; da presidente da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (AGERP), Ângela Carvalho; do superintendente federal do Ministério da Agricultura e Pecuária no Maranhão (SFA-MA), Yata Anderson Masullo; além de especialistas, associações de agricultura, docentes e coordenadores técnicos.
Impacto nas cadeias produtivas e na mesa do consumidor
No debate institucional, mediado pela coordenadora do CEMAM, Yanca Silva, foi destacado que a variabilidade climática impacta todo o ecossistema agroeconômico maranhense.
A secretária Jucielly Oliveira ressaltou que a escassez de chuvas e as altas temperaturas não prejudicam apenas as culturas agrícolas, mas trazem sérios riscos à pecuária e ao abastecimento das cidades.
“Falar de estiagem é falar de escassez de água e alimento no campo. A falta de pastagem afeta o gado, reduz a produção de leite e, em uma reação em cadeia, diminui a oferta de alimentos na cidade, elevando os preços para o consumidor final”, explicou Jucielly Oliveira.
Complementando a fala da secretária, a presidente da AGERP, Ângela Carvalho, falou sobre o setor produtivo e a importância da agricultura familiar.
“O agro abrange toda a cadeia produtiva. Por isso, fortalecer a agricultura familiar, incentivar o uso correto da irrigação e das cisternas e capacitar os extensionistas para levarem tecnologia e apoio é a nossa prioridade”, afirmou.
O painel técnico também apontou a necessidade de o Maranhão expandir a aplicação de iniciativas como o Plano ABC+ (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), no qual o estado ocupa a 3ª posição nacional em metas cumpridas, aliando sustentabilidade e resiliência no uso do solo. Outro ponto discutido foi o impacto do estresse hídrico na piscicultura e em culturas permanentes e temporárias de diversas regiões.
Compromisso de chegar aos 217 municípios
Um dos grandes anúncios consolidados no Fórum foi a meta de interiorizar as informações agrometeorológicas geradas pelo CEMAM. A intenção do Governo do Estado é garantir que os boletins, dados e orientações de prevenção estejam acessíveis aos 217 municípios do Maranhão, por meio de canais de comunicação direta, rádios públicas e o trabalho ostensivo dos técnicos em campo.
A secretária Jucielly Oliveira reafirmou o papel integrador do Governo do Estado ao lado das universidades, institutos de pesquisa e órgãos federais.
“O El Niño é uma realidade e não temos como ignorá-lo, mas temos como nos preparar para os seus efeitos. A mensagem que deixamos aqui hoje para cada produtor e produtora maranhense é de confiança: nós estamos todos juntos. Ciência, assistência técnica, inovação e governo caminhando lado a lado para garantir que o Maranhão continue crescendo e produzindo”, concluiu a secretária.
Cenário atual do El Niño
No segundo momento do fórum, a meteorologista do Núcleo de Geociências (NUGEO) e professora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Andréa Cerqueira, explicou didaticamente a dinâmica do fenômeno El Niño e como suas consequências afetam a distribuição e o volume das chuvas no Nordeste brasileiro. O desafio atual não é apenas prever as variações do clima, mas sim garantir que essas informações cheguem à ponta de forma compreensível e útil para o produtor plantar na hora certa. A riqueza dos debates foi impulsionada pela pluralidade de conhecimentos presentes no Fórum, que aproximou a visão científica da realidade prática do produtor.
O último painel reuniu o geógrafo e superintendente da SAGRIMA, Darlann Weskley; o economista do IMESC, Anderson Nunes; os engenheiros agrônomos e meteorologistas Carlos Wendell Dias e Carlos Márcio Eloi, além da contribuição fundamental do agricultor familiar da Comunidade Cinturão Verde, Edvaldo Rocha, garantindo uma abordagem multidisciplinar para o enfrentamento dos desafios climáticos no estado.
“Nós já estamos sentindo os efeitos das mudanças climáticas. Este ano, com as notícias do El Niño, fiquei muito preocupada. Quando eu vi a inscrição do fórum, eu fiz logo a minha, porque quero me inteirar mais sobre o assunto. O fórum foi de muito aprendizado para nós”, explicou Maria do Socorro, agricultora familiar de Paço do Lumiar, que atua no cultivo de macaxeira, feijão e frutíferas.






