Anuário Brasileiro 2025: Tocantins investe mais em segurança pública do que Goiás, Minas e São Paulo, por pessoa

O Estado do Tocantins aumentou em 7% os investimentos em segurança pública em 2024, totalizando R$ 1,46 bilhão aplicados na área. Em 2023, o valor foi de R$ 1,36 bilhão. Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que também aponta que o estado teve um dos maiores gastos per capita com segurança do país: R$ 928,44 por habitante.
O valor é superior ao registrado em estados com população e orçamento maiores, como Goiás (R$ 585,99), Minas Gerais (R$ 543,76) e São Paulo (R$ 362,48).
Queda nos índices de violência
O relatório mostra ainda uma queda de 27,9% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) no Tocantins em 2024. O índice representa um desempenho mais de cinco vezes superior à média nacional, que foi de -5,4%. A redução também é maior que a da média da Região Norte (-21,2%) e contrasta com o crescimento registrado em unidades como São Paulo (+7,5%) e Minas Gerais (+5,0%).
Com os novos números, a taxa de Mortes Violentas no Tocantins caiu para 19,8 por 100 mil habitantes, ficando abaixo da média nacional (20,8) e da Região Norte (27,7).
A queda também foi registrada em crimes contra o patrimônio. Os roubos de veículos caíram 30,6% no estado, contra uma redução nacional de 10,4%. Já os roubos a estabelecimentos comerciais tiveram queda de 14,4%.
Autoridades atribuem avanços a investimento e estrutura
Segundo autoridades estaduais, o desempenho positivo está relacionado à ampliação do investimento em segurança, com ações voltadas à qualificação de pessoal, aquisição de equipamentos e uso de tecnologia.

Para o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Márcio Barbosa, os recursos têm permitido melhorias na atuação da corporação. “Esses recursos se traduzem em melhores equipamentos, mais tecnologia e capacitação para a nossa tropa, o que potencializa nossa atuação nas ruas”, afirmou.
O secretário de Segurança Pública, Bruno Azevedo, também relaciona os índices à condução de investigações mais qualificadas e ao enfrentamento direto a organizações criminosas. “A queda da criminalidade tem relação direta com grandes investigações e operações contra os grupos que mais prejudicam a sociedade”, disse.

Ministério Público cobra concurso para a Polícia Civil
Apesar da alta nos investimentos e dos resultados positivos, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) ingressou com uma ação judicial contra o Estado do Tocantins, na última terça-feira (22), denunciando o grave colapso estrutural enfrentado pela Polícia Civil. O principal fator apontado: 11 anos sem realização de concurso público, o que resultou em um déficit alarmante de 1.272 servidores.

Segundo levantamento atualizado em junho de 2025, a Polícia Civil opera com apenas 50% do efetivo previsto em lei para os cargos de delegado, oficial investigador, perito e agente de necrotomia. Hoje, são 1.281 profissionais ativos, enquanto o número de cargos vagos se aproxima do total existente.
Por Conteúdo AF Notícias