Cabo da PM do Tocantins é condenado a 19 anos por executar a própria tia em Imperatriz
O cabo da Polícia Militar do Tocantins Etevaldo José Machado Silva Júnior foi condenado a 19 anos de reclusão pelo assassinato da própria tia, Maria de Jesus Souza Moraes, de 42 anos, em Imperatriz (MA). A sentença foi proferida pelo juiz Glender Malheiros Guimarães, presidente do Tribunal do Júri da 2ª Vara Criminal da comarca, após julgamento encerrado na madrugada de sexta-feira (27/2).
Na decisão, à qual a reportagem teve acesso, o magistrado determinou que a pena seja cumprida inicialmente em regime fechado e decretou também a perda do cargo público que o réu ocupa na PMTO. Ele integra os quadros da corporação desde julho de 2014 e está lotado no 9º Batalhão, em Araguatins.
Considerando o período em que o acusado permaneceu preso preventivamente – 2 anos e 16 dias – restam 16 anos, 11 meses e 14 dias de prisão a cumprir.
O outro denunciado no processo, o soldado Elielson Rocha Sales, não foi julgado porque morreu em julho do ano passado em decorrência de complicações de saúde.
Condenação pelo Tribunal do Júri
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que o réu foi o autor dos disparos que mataram Maria de Jesus e concluiu que o crime ocorreu mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, circunstância que caracteriza homicídio qualificado.
De acordo com a sentença, os jurados rejeitaram a tese de negativa de autoria apresentada pela defesa.
Na fundamentação, o juiz destacou que o crime teve elevado grau de reprovação social, inclusive por ter sido cometido por um agente de segurança pública.
“Praticou crime de maneira premeditada contra sua tia materna”, registrou o magistrado na decisão.
O juiz também considerou como agravante o fato de o réu ser policial militar no momento do crime.
“Sendo policial militar, tinha o dever de proteção da sociedade e optou por praticar violência urbana ilícita”, afirmou o magistrado ao justificar o aumento da pena.
Além da condenação criminal, a sentença fixou indenização mínima de R$ 10 mil à família da vítima para custear despesas funerárias.
Perda do cargo na Polícia Militar
Na decisão, o magistrado também determinou a perda definitiva do cargo público do réu na Polícia Militar do Tocantins.
Segundo a sentença, a conduta é incompatível com a função exercida. “Ao violar o dever ético e legal de proteção que o Estado lhe confiou, o sentenciado demonstrou desapreço pela vida humana que inviabiliza sua permanência nos quadros da corporação”, destacou o juiz.Crime ocorreu em 2024
O crime aconteceu na noite de 10 de fevereiro de 2024, no bairro Parque Alvorada II, em Imperatriz.
Segundo a investigação da Polícia Civil do Maranhão, Maria de Jesus estava em frente à própria casa quando dois homens chegaram em uma motocicleta. Um deles desceu do veículo e efetuou disparos contra a vítima.
De acordo com o delegado James dos Anjos, responsável pelo caso à época, a mulher foi atingida por um tiro no peito e caiu no local. O atirador ainda efetuou outros disparos antes de fugir. A vítima morreu no local.

Maria de Jesus Souza Moraes, de 42 anos, foi morta na porta de casa
Prisão dos policiais
Após o crime, policiais militares do Maranhão localizaram e prenderam Etevaldo José Machado Silva Júnior e Elielson Rocha Sales.
Com os suspeitos foram apreendidas armas de fogo, incluindo um revólver calibre .38 que havia sido furtado do 9º Batalhão da Polícia Militar em Araguatins (TO), além de munições.
Os dois negaram participação no crime e alegaram que estavam a caminho do aeroporto para realizar exercícios físicos.
Outro acusado morreu
Inicialmente, os dois policiais militares do Tocantins respondiam pelo homicídio. No entanto, o soldado Elielson Rocha Sales morreu em julho de 2025 após complicações de saúde, o que levou à extinção da punibilidade em relação a ele. Na época, a Polícia Militar do Tocantins emitiu nota de pesar lamentando “profundamente a perda do SD QPPM Elielson Rocha Sales, o qual deixou esposa e filho”.
Assim, apenas o cabo Etevaldo José Machado Silva Júnior foi submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Investigação apontou possível motivação
Durante a investigação, testemunhas relataram à polícia que o réu não aceitava o relacionamento amoroso da tia com um homem com quem teria desavenças.
Segundo depoimento prestado durante o inquérito, o companheiro da vítima afirmou que chegou a ser ameaçado pelo policial em 2022, quando teria sido levado a um matagal e mantido amarrado.
A suspeita de motivação ligada a conflitos pessoais chegou a ser investigada como possível feminicídio, mas o julgamento ocorreu com base na acusação de homicídio qualificado.

Policiais militares acusados de matar mulher em Imperatriz
Por AF Noticias






