Caso Ágatha e Allan: Polícia esclarece andamento das investigações sobre irmãos desaparecidos
O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly Reis Lago, de 6 anos, e Allan Michael Reis Lago, de 4 anos, continua sem resposta em Bacabal, no Maranhão. As crianças desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, na zona rural do município. Na quarta-feira (19), o caso completou sete meses e 15 dias sem que os irmãos tenham sido localizados. A investigação permanece em andamento e, segundo as autoridades, o principal objetivo continua sendo descobrir o que aconteceu e localizar as duas crianças.
Na tarde do desaparecimento, Ágatha e Allan estavam acompanhados do primo Anderson Kauã, de 8 anos. Os três saíram para brincar nas proximidades da comunidade e entraram em uma área de mata. Segundo relatos divulgados durante as buscas, as crianças teriam seguido por uma região mais fechada depois de serem orientadas a retornar para casa. Anderson foi encontrado dias depois, com vida, enquanto Ágatha e Allan não foram localizados. Desde então, o caso passou a mobilizar uma grande operação de buscas e investigação.
Buscas mobilizaram forças de segurança
Nos primeiros dias após o desaparecimento, equipes de segurança, bombeiros, policiais, moradores e voluntários realizaram buscas por terra em áreas de mata próximas ao local onde as crianças foram vistas pela última vez. A operação também contou com cães farejadores, drones, aeronaves e equipes especializadas. Com o avanço das buscas, outras forças foram incorporadas à operação, incluindo o Exército e a Marinha do Brasil.
A procura também foi ampliada para áreas próximas ao **Rio Mearim**, diante da possibilidade de que as crianças pudessem ter chegado à região. A Marinha empregou mergulhadores, embarcações e equipamentos de busca subaquática, enquanto as equipes terrestres continuaram fazendo varreduras na mata. O esforço reuniu centenas de profissionais e voluntários ao longo das primeiras semanas do caso.
Os trabalhos também utilizaram tecnologia para tentar encontrar vestígios. Foram empregados drones com câmeras térmicas, cães farejadores e equipamentos para buscas em áreas de mata e no rio. A perícia analisou materiais encontrados durante a operação e também realizou a coleta de material genético de familiares para possibilitar eventuais comparações. O protocolo Amber Alert também foi acionado, com divulgação de informações sobre as crianças em plataformas digitais.
Rastro chegou até o Rio Mearim
Uma das informações que ganharam destaque durante a investigação foi o trabalho realizado por cães farejadores. Segundo informações divulgadas à época, os animais teriam identificado o odor das crianças até a margem do Rio Mearim, onde o rastro acabou. A partir disso, as buscas aquáticas ganharam importância, mas não foram encontradas pistas conclusivas que indicassem que Ágatha e Allan estivessem no rio. As buscas aquáticas foram posteriormente encerradas, e a investigação passou a concentrar esforços em outras possibilidades.
Ao longo dos meses, diferentes hipóteses foram consideradas pelas autoridades. Entre as possibilidades investigadas estiveram a de que as crianças tenham se perdido na mata, um eventual acidente, afogamento e a participação de terceiros. A polícia não confirmou publicamente uma conclusão definitiva sobre o que ocorreu com os irmãos. Com a ausência de vestígios capazes de esclarecer o paradeiro das crianças, a investigação criminal passou a ter papel cada vez mais central no caso.
Denúncias levaram investigação para outros estados
Durante as buscas, também surgiram denúncias indicando que as crianças poderiam ter sido levadas para outras regiões do país. Uma delas apontou que dois menores com características semelhantes às de Ágatha e Allan estariam acompanhados por uma mulher em um hotel no município de Água Azul do Norte, no Pará. A Polícia Civil foi até o local indicado e verificou a denúncia, mas a possibilidade foi descartada após a diligência.
Outra denúncia levou as autoridades a verificar a possibilidade de que os irmãos tivessem sido vistos em um hotel na região central de São Paulo. A informação também foi apurada pelas equipes responsáveis, dentro da estratégia de checagem de denúncias sobre possíveis avistamentos das crianças.
As autoridades também precisaram lidar com informações falsas e boatos espalhados nas redes sociais durante o caso. Entre os rumores esteve a alegação de que familiares teriam vendido as crianças. A Polícia Civil informou, à época, que essa informação era falsa. A orientação das autoridades sempre foi para que possíveis informações sobre o paradeiro dos irmãos fossem encaminhadas aos canais oficiais, evitando a disseminação de especulações que pudessem prejudicar as investigações.
Investigação já ultrapassa 700 páginas
Atualmente, o inquérito policial continua sob **sigilo**. De acordo com esclarecimento divulgado pela Associação dos Delegados de Polícia Civil do Maranhão (ADEPOL-MA) e pela 16ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Bacabal, o procedimento já ultrapassa **700 páginas**, reunindo relatórios de investigação, laudos, perícias, depoimentos e pedidos de medidas cautelares.
Segundo as autoridades, o sigilo é mantido para preservar a eficácia das diligências e impedir que informações sejam divulgadas antes do momento adequado. Apenas os delegados e investigadores diretamente responsáveis pelo caso possuem acesso integral aos autos. O esclarecimento informa ainda que, até o momento, não há advogado ou advogada habilitado no inquérito.
A documentação também registra que a investigação continua ativa. A mais recente diligência formalizada nos autos, conforme informado pelas autoridades, é um **relatório de missão datado de 13 de agosto de 2026**. A existência desse documento é apontada como demonstração de que as diligências continuam sendo realizadas, mesmo meses depois do desaparecimento.
Caso continua sob responsabilidade da Polícia Civil
Outro ponto esclarecido pelas autoridades é a possibilidade de as crianças terem sido levadas para outro estado. Segundo a ADEPOL-MA e a Polícia Civil de Bacabal, essa hipótese, por si só, não faz com que o caso passe automaticamente para a Polícia Federal. A investigação permanece sob responsabilidade da **Polícia Civil e da Justiça Estadual**, sem impedir a cooperação com outras instituições caso seja necessária.
A manutenção do sigilo também é justificada pela necessidade de evitar a divulgação antecipada de hipóteses, conclusões ou detalhes de diligências. Para as autoridades, informações divulgadas fora do contexto da investigação podem comprometer estratégias, influenciar depoimentos ou dificultar a apuração de pistas.
Família aguarda respostas
Desde o desaparecimento, a família de Ágatha e Allan vive a expectativa de receber informações sobre o paradeiro das crianças. As autoridades reconhecem a angústia dos familiares e afirmam que o caso exige cautela, técnica e sigilo para que as diligências não sejam prejudicadas.
Mais de sete meses após o desaparecimento, ainda não há uma resposta definitiva sobre o que aconteceu com os irmãos. As buscas iniciais envolveram grandes operações por terra, água e ar, enquanto a investigação policial passou a reunir centenas de páginas de documentos e diferentes elementos obtidos ao longo das diligências.
A Polícia Civil e a ADEPOL-MA reforçam que o objetivo permanece sendo **localizar Ágatha Isabelly e Allan Michael e esclarecer integralmente as circunstâncias do desaparecimento**. Enquanto o inquérito permanece sob sigilo, novas diligências continuam sendo realizadas para tentar encontrar respostas para um dos casos de desaparecimento de crianças que mais mobilizaram as forças de segurança no Maranhão em 2026.





