Demolição de casas deixa famílias sem moradia e transforma sonhos em escombros
A demolição de dezenas de casas deixou famílias em desespero em Colinas do Tocantins, no norte do estado. A ação ocorreu no dia 30 de abril, em uma área do setor Santa Maria, em cumprimento a uma decisão judicial de reintegração de posse.
Vídeos gravados por moradores mostram o cenário de destruição e o impacto emocional da medida. Sentada sobre os escombros, a presidente da associação de moradores, Paula Roberta Ferreira Pinheiro, relatou a dor das famílias que perderam tudo. “Estou aqui sentada nos escombros de onde era um sonho, da casa própria, e se tornou agora entulho”, desabafou.
A chegada das máquinas surpreendeu os moradores, que, segundo relatos, ainda acreditavam na possibilidade de uma solução negociada. “Quando as máquinas chegaram, pegou as pessoas de surpresa. Tinham falado que iam procurar uma solução, mas derrubaram tudo”, afirmou a presidente da associação.
Conforme a comunidade, cerca de 64 famílias foram afetadas diretamente. Muitas delas afirmam ter investido todas as economias, vendido bens e contraído dívidas para realizar o sonho da casa própria, mesmo diante da situação irregular da área. “Não foi só perder o dinheiro. As famílias ficaram endividadas e sem moradia”, relatou.
Durante a demolição, famílias tentavam retirar móveis e pertences às pressas, em meio ao avanço das máquinas. “Entraram em desespero. Até hoje tem gente sofrendo, imaginando o quanto gastou ali”, disse Paula Roberta.
O impasse envolvendo a área se arrasta desde a gestão do ex-prefeito Josemar Kasarin, que recentemente renunciou ao cargo para disputar as eleições de 2026. Segundo moradores, desde então a comunidade vinha se mobilizando em busca de uma solução e chegou a participar de tratativas com o poder público. Ainda de acordo com os relatos, teria havido falta de vontade política do atual prefeito José Batista Ferreira, conhecido como Zenagru.
A presidente da associação criticou a atuação do poder público e afirmou que as autoridades tinham conhecimento da situação social das famílias. “Conhecem a necessidade desse povo, mas não hesitaram em cumprir a reintegração. Poderiam ter feito algo”, declarou.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Colinas do Tocantins informou que a ação de demolição foi realizada em cumprimento a uma decisão judicial de reintegração de posse, envolvendo áreas públicas ocupadas de forma irregular.
Apesar de o município afirmar que se tratava de lotes sem moradia consolidada, moradores relatam que viviam no local e haviam construído suas casas ao longo dos últimos anos.
Segundo a prefeitura, a gestão reconhece os impactos sociais da medida. “O município lamenta profundamente os impactos sociais decorrentes dessa medida, reconhecendo o sofrimento das famílias envolvidas”, diz a nota.
A administração municipal afirmou que a operação foi conduzida com acompanhamento de órgãos como o Judiciário, a Polícia Militar e o Ministério Público, seguindo normas nacionais. “A execução está sendo conduzida de forma prática, humanizada e escalonada, em estrita observância às resoluções”, destacou.
O município sustenta que as famílias foram notificadas previamente sobre a irregularidade das ocupações. “Desde o início de 2024, o município notificou reiteradamente as famílias ocupantes, alertando para a ilegalidade da invasão”, informou.
Por fim, a gestão afirmou que busca alternativas para minimizar os impactos sociais e garantir políticas habitacionais. “A gestão continua dedicada a programas de moradia popular e busca soluções para que ninguém fique desassistido”, concluiu.
Por ‘AF Noticias’





