Tocantins

Investimento estrangeiro em mineração de ouro movimenta R$ 1,4 bi em cidade tocantinense

A mineradora Hochschild Mining, multinacional britânica fundada para atuar no Peru, está em fase final de preparação para começar as operações de uma mina de ouro no interior do Tocantins, no município de Monte do Carmo, a cerca de 90 km da capital do estado, Palmas.

A cidade, com pouco mais de 5,6 mil habitantes, tem predominância da agropecuária e do comércio, e o novo investimento de extração está avaliado em cerca de R$ 1,4 bilhão.

Ele é parte do Monte do Carmo Gold Project, de 80 mil hectares, considerado uma das maiores minas auríferas atualmente em desenvolvimento no Brasil. A planta foi adquirida por um custo total de US$ 60 milhões, segundo informações da mineradora.

Desde março de 2024, a empresa tem executado um programa de perfuração na região com dois furos de 1.704 metros, além de uma campanha de perfuração de 4.806 metros em cinco zonas prospectivas de mineralização. “A campanha já incorporou recursos adicionais de ouro, confirmando o forte potencial geológico do projeto”, afirma a Hochschild.

O país tem outros projetos de desenvolvimento de minério de ouro em estados como Pará, Mato Grosso e Maranhão, e a previsão é de que sejam adicionadas mais 20 toneladas anuais à produção.

Os principais em funcionamento são os projetos da canadense Aura Minerals, que já atua em Almas (TO) e Matupá (MT) (cuja construção está prevista para 2025), e tem produção estimada em 450 mil onças de ouro anuais a partir deste ano.

Em Carajás (PA), outra mineradora canadense, a Ero Copper, desenvolve em parceria com a Vale o projeto Furnas, baseado na extração de cobre e ouro, com estudo de viabilidade de aproximadamente 70 mil toneladas anuais e vida útil avaliada em 24 anos (o valor líquido está estimado em cerca de US$ 2 bilhões).

O projeto tocantinense liderado pela Hochschild tem um investimento total de implantação estimado em US$ 300 milhões e capacidade anual projetada em 150 mil onças de ouro, com vida útil prevista de 12 anos na sua fase inicial.

A mineração será feita a céu aberto, por beneficiamento em plantas industriais, e o projeto obteve o licenciamento do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), órgão ambiental do estado.

A mina entrou na fase de implantação em 2023, mas o início da produção comercial deve ocorrer em 2026, sendo considerado estratégico para “diversificar a economia mineral do estado”.

O projeto tem potencial para aumentar a arrecadação estadual dos royalties minerais, CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), pagos à União, aos estados e municípios pela extração e venda de minérios em alíquotas que variam até 6% sobre a receita bruta da comercialização, descontados os impostos. Até 60% por cento das alíquotas são destinadas ao município produtor.

A região tocantinense tem tradição de exploração aurífera. Os primeiros garimpos, instalados durante a expansão da mineração a partir de Goiás, datam do período colonial. Ao longo do século XX, o garimpo artesanal se tornou mais evidente na região, e o ouro continuou a ser o principal mineral do estado, apesar de não ser um dos maiores produtores nacionais (posição ocupada predominantemente por Pará e Minas Gerais).

O estado tem produção média anual entre 20 quilos e 200 quilos de ouro formalmente declarado, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Serviço Geológico do Brasil. Grande parte dessa exploração está baseada em garimpo informal.

O Cinturão Araguaia–Tocantins é a região com maior ocorrência de ouro primário e aluvionar, associado a rochas metamórficas e intrusões graníticas, mas muitos projetos ainda estão em fase de pesquisa mineral. Já na faixa Gurupi–Araguaia, o estado faz continuidade geológica com a província aurífera do Maranhão.

O Tocantins pode ter até 100 toneladas de ouro em recursos estimados que ainda não foram integralmente classificados como economicamente viáveis para exploração, distribuídos entre as regiões de Monte do Carmo, Almas, Natividade e Araguacema, ao longo da faixa do rio Araguaia.

Revista Forum I(Anne Evelin)

Arimatéia Jr.

Arimatéia Jr.

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