MARANHÃO: Polícia pede medidas protetivas e busca contra deputado após denúncias de agressão e estupro
O deputado federal e presidente estadual do Solidariedade, Ribeiro Neto, está sendo investigado pela Polícia Civil do Maranhão por supostos crimes de lesão corporal, ameaça, injúria e estupro de vulnerável contra sua esposa, Ingrid Campos. O caso, que corre sob o âmbito da Lei Maria da Penha, ganhou repercussão nesse domingo (17), após o encaminhamento de uma petição criminal à Justiça pela Delegacia Especial da Mulher de São Luís.
Por outro lado, o parlamentar nega as acusações, fala em processo de separação e também registrou um boletim de ocorrência contra a esposa, alegando ter sido agredido.
Os relatos de violência e o episódio no motel
De acordo com o depoimento de Ingrid Campos, o casal vive um relacionamento de nove anos marcado por um histórico de violência física, psicológica e patrimonial, além de comportamento controlador por parte do deputado.
No relato mais recente, a vítima detalhou uma sequência de agressões iniciada no último dia 7 de maio:
- Atendimento médico: Ingrid afirmou ter buscado socorro na Policlínica do Cohatrac após ser puxada e jogada ao chão, sofrendo escoriações nos joelhos, braço e testa. Enquanto estava na unidade, ela teria recebido ameaças indiretas do parlamentar caso não fosse ao seu encontro.
- Cárcere e estupro de vulnerável: A vítima relata que foi levada forçadamente a um motel na região do Turu, onde foi obrigada a ingerir uma garrafa inteira de vinho. Sem condições de oferecer resistência devido ao estado de alcoolemia, ela teria sido submetida a ato sexual sem consentimento. Ingrid afirmou ainda ter permanecido mais de 48 horas incomunicável após o episódio.
- Ameaça com arma de fogo: Em outro momento narrado à polícia, Ribeiro Neto teria exibido uma arma de fogo na residência do casal, no bairro Chácara Itapiracó, na presença da filha de quatro anos, dizendo que a esposa seria uma “morta-viva”.
Pedidos da Polícia Civil à Justiça
Diante da gravidade das denúncias, a delegada Amanda Lopes solicitou um mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar para localizar a arma de fogo citada, munições e acessórios.
A polícia também requereu uma série de medidas protetivas de urgência, que incluem:
- Afastamento imediato do deputado do lar e a proibição de qualquer contato com a vítima, familiares e testemunhas (inclusive por redes sociais ou telefone);
- Suspensão do porte e do direito de possuir arma de fogo;
- Devolução de bens pessoais e aparelhos eletrônicos retidos (como iPad, MacBook e um iPhone 15 Pro Max);
- Realização de exames complementares para comprovar as agressões físicas e a conjunção carnal.
Deputado rebate acusações e registra boletim contra a esposa
Também no domingo (17), o deputado federal Ribeiro Neto procurou a polícia para registrar um boletim de ocorrência contra Ingrid Campos. O parlamentar acusa a esposa de agressões físicas (como mordidas e empurrões) e injúrias durante uma discussão conjugal no condomínio onde moravam. O caso foi direcionado para apuração no 13º Distrito Policial do Cohatrac.
Ribeiro Neto também alegou que a esposa deixou a residência afirmando que “iria sumir” com a filha do casal, de quatro anos. Segundo o deputado, houve um acordo intermediado por um policial militar da família para a entrega da criança no dia seguinte, o que não teria sido cumprido, deixando-o sem contato com a filha.
Nota Oficial
Em nota divulgada na noite de domingo, o parlamentar negou categoricamente qualquer tipo de agressão física ou psicológica. Ele classificou o episódio como uma “questão familiar delicada” motivada por um processo de separação.
“Ribeiro Neto reafirma seu compromisso com a verdade, com a preservação da sua filha e com a condução respeitosa deste momento, evitando conflitos públicos e exposições desnecessárias”, diz o texto, no qual o deputado promete tratar o caso com serenidade e respeito às instituições.





