Megaobra de R$ 18,1 bilhões vai atravessar 12 municípios do Tocantins e prevê 30 mil empregos
O projeto é da estatal chinesa State Grid, e está entre os maiores investgimentos em transmissão de energia do Brasil
Uma das maiores obras de infraestrutura energética do Brasil vai atravessar 12 municípios do Tocantins. Com investimento estimado em R$ 18,1 bilhões, o empreendimento prevê a construção de um corredor de transmissão de energia de aproximadamente 1.500 quilômetros, ligando o Maranhão a Goiás, com passagem pelo território tocantinense.
O projeto, denominado Graça Aranha–Silvânia, é de responsabilidade da estatal chinesa State Grid, por meio da concessionária Graça Aranha Silvânia Transmissora de Energia (GATE). A estrutura terá capacidade nominal de transportar 5 gigawatts de potência e permitirá ampliar o aproveitamento da energia produzida por usinas eólicas e solares das regiões Norte e Nordeste.
A obra já saiu da fase de planejamento. Em 2 de junho de 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu a Licença de Instalação nº 1563/2026, autorizando a implantação da linha de transmissão e das instalações associadas.
As obras das subestações conversoras nas duas extremidades do empreendimento também já foram iniciadas.
Conforme o traçado aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a linha principal passará pelos seguintes municípios tocantinenses:
- Lizarda
- Rio Sono
- Novo Acordo
- Lagoa do Tocantins
- Ponte Alta do Tocantins
- Pindorama do Tocantins
- Santa Rosa do TocantinsConsultar Atlas
- Chapada da Natividade
- São Valério da Natividade
- Peixe
- Talismã
- Jaú do Tocantins
O traçado foi confirmado em documentação da Aneel, incluindo uma atualização aprovada em outubro de 2025.
Além da instalação de torres e cabos de alta tensão, a execução do empreendimento poderá movimentar serviços de transporte, construção civil, alimentação, hospedagem e fornecimento de materiais nas regiões alcançadas.
A estimativa apresentada no leilão é de aproximadamente 30 mil empregos diretos durante a implantação do projeto. O número, entretanto, corresponde ao empreendimento como um todo, sem especificação de quantos postos de trabalho serão destinados ao Tocantins.
Propriedades rurais terão restrições ao uso do solo
A passagem da linha de transmissão também terá consequências para propriedades rurais situadas no trajeto.
A Aneel declarou de utilidade pública uma faixa de 108 metros de largura para instituição de servidão administrativa, conforme resolução atualizada em 2025.
A medida permite a instalação, manutenção e fiscalização das estruturas de transmissão, estabelecendo restrições a construções, plantações de grande porte e outras atividades incompatíveis com a segurança da rede elétrica.
A servidão administrativa não significa, necessariamente, a perda da propriedade. A constituição desse direito e eventuais indenizações devem observar os procedimentos legais aplicáveis.
Governo anuncia antecipação da operação para 2028
Outra novidade é a possibilidade de antecipação da entrada em funcionamento.
Em julho de 2026, a State Grid apresentou ao Ministério de Minas e Energia um novo cronograma, com a previsão de iniciar a operação do sistema em março de 2028, dois anos antes do prazo originalmente estabelecido para 2030.
A antecipação foi comunicada pelo presidente do conselho da companhia, Sun Tao, ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
A data de 2028 representa a meta anunciada para o início da operação, não uma confirmação de que todas as etapas do empreendimento estarão concluídas nesse período.
Transformadores de mais de 300 toneladas já chegaram ao Brasil
O avanço da obra também pode ser observado na chegada de equipamentos importados da China.
Em outubro de 2026, a administração do Porto do Itaqui, no Maranhão, informou que estava recebendo transformadores de ultra-alta tensão destinados ao empreendimento. Algumas das peças ultrapassam 300 toneladas.
A operação logística prevê a chegada de 12 navios, com equipamentos que seguirão por rodovia até a região de Graça Aranha, onde será instalada uma das subestações conversoras.
Devido ao peso e às dimensões das cargas, parte do transporte terrestre ocorre em carretas especiais, que trafegam a velocidades de apenas 7 a 8 quilômetros por hora.
Entenda por que a obra é considerada estratégica
O principal objetivo do empreendimento é ampliar a capacidade de transportar eletricidade entre diferentes regiões brasileiras.
Atualmente, parte da energia produzida por parques eólicos e solares enfrenta restrições para chegar aos grandes centros consumidores devido às limitações da rede de transmissão.
O novo corredor utilizará tecnologia de corrente contínua em ultra-alta tensão, de aproximadamente 800 quilovolts, permitindo transportar grandes volumes de energia por longas distâncias.
O projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e foi contratado após o leilão realizado pela Aneel em dezembro de 2023.
Apesar da dimensão bilionária, os R$ 18,1 bilhões correspondem ao investimento estimado no empreendimento completo, incluindo estruturas localizadas fora do Tocantins.
Para o Tocantins, o empreendimento representa a entrada de parte de seu território em um dos principais corredores de transmissão de energia do país, com potencial de movimentação econômica durante as obras e participação na ampliação da infraestrutura elétrica nacional.





