Tocantins

Morre Paulo César da Silva, o “Paulão”, “PC”, de Bela Vista-TO

As circunstâncias da morte ainda aguardam confirmação oficial das autoridades competentes. Informações preliminares indicam que, até o momento, nenhum familiar teria sido localizado para realizar o reconhecimento e os trâmites funerários.

A comunidade de Bela Vista, localidade às margens do Rio Tocantins, no município de São Miguel do Tocantins, recebeu com tristeza, a notícia da morte de Paulo César da Silva, conhecido popularmente como Paulão ou PC.

Segundo informações de moradores, ele foi encontrado sem vida na manhã de domingo,
14,em sua propriedade rural, após ter passado a noite provavelmente sozinho no local. As circunstâncias da morte ainda aguardam confirmação oficial das autoridades competentes.

Paulão era bastante conhecido na região, onde vivia há vários anos como pequeno produtor rural. Presente nas redes sociais, costumava se manifestar sobre questões ambientais e temas relacionados à realidade da comunidade local, tornando-se uma figura conhecida não apenas em Bela Vista, mas também em municípios vizinhos, incluindo Imperatriz (MA) onde também atuou na imprensa como colaborador do Jornal O Progresso, sendo membro da Associação de Imprensa (Airt) e São Miguel do Tocantins.

Após a constatação do óbito, o corpo foi encaminhado para Araguatins, onde deverá passar pelos procedimentos legais necessários. Informações preliminares indicam que, até o momento, nenhum familiar teria sido localizado para realizar o reconhecimento e os trâmites funerários.

A situação tem gerado preocupação entre amigos e moradores da comunidade, que esperam que parentes ou pessoas próximas possam ser encontrados para acompanhar os procedimentos e prestar as últimas homenagens.

A morte de Paulão encerra a trajetória de um homem conhecido por sua convivência pacífica e por sua ligação com a terra e com a comunidade onde viveu. Entre os moradores de Bela Vista, o sentimento predominante é de pesar pela partida de alguém que fazia parte do cotidiano da região.

Familiares ou pessoas que possuam informações sobre parentes de Paulo César da Silva podem procurar as autoridades responsáveis pelos procedimentos relacionados ao caso.

A comunidade segue acompanhando o desenrolar da situação e prestando solidariedade à memória de Paulão, cuja partida deixa consternados amigos, vizinhos e conhecidos.

Nota do editor:

Em Bela vista corre a notícia de que nenhum parente apareceu para reclamar o corpo. Se realmente não houver familiares conhecidos ou alguém que se apresente para assumir os procedimentos funerários, existe um protocolo legal que normalmente é seguido.

No caso específico o mais adequado seria:
• Confirmar junto à Polícia Civil de Araguatins se já houve busca por familiares;
• Verificar se ele possuía documentos pessoais e registros de parentes;
• Acionar a assistência social do município de São Miguel do Tocantins;
• Utilizar redes sociais e rádios locais para tentar localizar familiares ou conhecidos de outras cidades.

No Brasil, quando uma pessoa morre sem herdeiros conhecidos, a sucessão dos bens segue um procedimento específico previsto no Código Civil.

Em linhas gerais:
1. A Polícia Civil e o Instituto Médico Legal (ou órgão equivalente) fazem a identificação da pessoa e registram o óbito. Se a morte foi natural, mas ocorreu sem testemunhas, pode haver exame para esclarecer a causa.
2. O corpo não deve ser enterrado imediatamente como indigente sem que sejam feitas tentativas razoáveis de localizar familiares. Geralmente são consultados documentos pessoais, registros civis, contatos encontrados no celular, redes sociais e outras bases de dados.
3. Se a pessoa for identificada (como parece ser o caso de Paulo César da Silva), mas não houver familiares ou responsáveis localizados, o município pode providenciar o chamado sepultamento social ou sepultamento custeado pelo poder público. Tecnicamente, ele não seria um “indigente” no sentido estrito, porque sua identidade é conhecida.
4. Como ele possuía terras, gado e outros bens, esses bens não passam automaticamente para ninguém. Se não existirem herdeiros conhecidos, é aberto um procedimento sucessório. O patrimônio fica sob controle da Justiça até que possíveis herdeiros apareçam. Somente após os prazos legais e os procedimentos judiciais é que os bens podem ser destinados ao poder público.
5. Se a comunidade de Bela Vista considera que ele teve relevância local, é possível que amigos, vizinhos, associações ou até a prefeitura solicitem mais tempo para localizar parentes antes do sepultamento e organizem uma despedida digna.

1. Abertura do inventário

Primeiro, é necessário levantar quais bens a pessoa deixou: terras, casas, dinheiro em contas, veículos, gado, equipamentos, direitos etc.

No caso de um produtor rural como o Paulão, poderiam entrar no inventário:
• A propriedade rural;
• O rebanho;
• Máquinas e equipamentos;
• Contas bancárias;
• Eventuais créditos ou dívidas.

2. Busca por herdeiros

O juiz determina diligências para localizar parentes que tenham direito à herança.

A lei estabelece uma ordem de sucessão:
1. Filhos, netos e descendentes;
2. Pais, avós e ascendentes;
3. Cônjuge ou companheiro;
4. Irmãos, sobrinhos, tios e demais parentes colaterais até o quarto grau.

Mesmo parentes que não conviviam com o falecido podem ter direito à herança.

3. Herança jacente

Se ninguém aparece para reclamar os bens, a herança é declarada jacente.

Nessa fase:
• Um curador é nomeado pela Justiça;
• Os bens são preservados;
• Não podem ser ocupados ou apropriados por terceiros;
• São publicados editais para tentar localizar herdeiros.

Esse período pode durar anos.

4. Herança vacante

Se, após as buscas e os prazos legais, nenhum herdeiro for encontrado, a herança passa à condição de vacante.

Nessa etapa, os bens podem ser incorporados ao patrimônio público.

5. Quem fica com os bens?

Atualmente, os bens da herança vacante são destinados ao ente público correspondente, geralmente o município, o Distrito Federal ou a União, conforme a localização e a natureza dos bens.

Aplicando ao caso de Paulão

Se realmente ele:
• Não tiver filhos;
• Não tiver esposa ou companheira;
• Não tiver pais vivos;
• Não tiver irmãos, sobrinhos, tios ou primos dentro do grau legal de sucessão;

e ninguém aparecer para reivindicar a herança, a fazenda, o gado e os demais bens não poderão ser simplesmente ocupados por vizinhos, invasores ou conhecidos.

Tudo deverá passar por controle judicial.

Por isso, mesmo que hoje não exista nenhum familiar conhecido em Bela Vista ou São Miguel do Tocantins, é muito cedo para concluir que os bens ficarão sem dono. A Justiça costuma realizar diversas tentativas de localização de parentes em cartórios, registros civis, documentos pessoais, bancos de dados públicos e até em outros estados.

Em casos como esse, às vezes surgem herdeiros meses ou até anos depois da morte, especialmente quando a pessoa viveu longe de sua família de origem. Somente após esgotadas todas as possibilidades é que a herança poderá ser declarada vacante e destinada ao poder público.

Fonte: Josué Moura

Arimatéia Jr.

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