PSB expulsa prefeito de Campestre do Maranhão após ameaças de demissão por motivos eleitorais
Fernando Bermuda cometeu “grave infidelidade partidária” ao atuar politicamente em favor de candidatos de siglas adversárias, contrariando as orientações oficiais do PSB
A Executiva Estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Maranhão decidiu expulsar de seus quadros o prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda. A medida foi tomada após o gestor ameaçar demitir servidores municipais que não apoiarem o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) na eleição de outubro de 2026.
A expulsão consta na Resolução nº 008/2026, assinada pela direção estadual do partido e aprovada por unanimidade em reunião extraordinária realizada no sábado (8).
De acordo com o documento, Fernando Bermuda cometeu “grave infidelidade partidária” ao atuar politicamente em favor de candidatos de siglas adversárias, contrariando as orientações oficiais do PSB. A legenda destacou que a conduta do prefeito ultrapassou a mera preferência individual, configurando uma atuação organizada contra as diretrizes do partido.
Ameaças de demissão e repercussão nacional
A punição ocorre após a divulgação de mensagens e áudios em que o prefeito pressionava servidores públicos. Em uma das declarações divulgadas em grupos de mensagem e canais de transmissão, Bermuda afirmou que os funcionários que votassem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva perderiam seus cargos após o pleito. O caso ganhou repercussão nacional e incluiu até a circulação de um jingle produzido por inteligência artificial, que condicionava a permanência dos servidores ao voto em Flávio Bolsonaro.
Em sua defesa, o prefeito alegou que as mensagens apenas expressavam seu “ponto de vista sobre a política” e os potenciais impactos orçamentários na cidade caso o atual governo federal seja mantido.
Embora Campestre do Maranhão tenha recebido mais de R$ 185 milhões em recursos federais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, Bermuda argumenta enfrentar problemas de orçamento. Ele admitiu que fará cortes na administração municipal em caso de derrota de seus aliados — e que os simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT) serão os primeiros atingidos.
Afronta às diretrizes partidárias
Na resolução, o PSB ressaltou que a gravidade da conduta é ampliada pelo fato de Bermuda exercer um mandato majoritário conquistado pela própria legenda, o que exigiria maior dever de fidelidade.
A direção estadual enfatizou que a postura do gestor afronta diretamente a estratégia eleitoral nacional do partido para 2026, que envolve o apoio à candidatura de Geraldo Alckmin à Vice-Presidência da República. O documento cita o Estatuto do PSB, que obriga os filiados a cumprirem as decisões internas e apoiarem os nomes indicados pelas instâncias oficiais.
Cancelamento de filiação e ilícitos eleitorais
Com base no artigo 9º, alínea “g”, do Estatuto Partidário, o Artigo 1º da resolução formaliza a expulsão imediata de Fernando Bermuda e o cancelamento de sua filiação.
A decisão levou em conta a gravidade das acusações, a repercussão pública do caso e os prejuízos causados à imagem e à estratégia da legenda. Além disso, o documento pontua que as atitudes do prefeito apresentam indícios de ilícitos eleitorais, como o abuso do poder político — matéria cuja apuração caberá à Justiça Eleitoral.
Com validade a partir da data de sua aprovação (8 de agosto de 2026), a resolução determina que o ato seja comunicado à Direção Nacional do PSB para as providências administrativas e estatutárias cabíveis.






