Editorial do Dia

De olho no Senado: como votaram na Câmara os deputados que agora querem representar o Tocantins por oito anos

Eli Borges aparece como o mais alinhado à oposição a Lula, enquanto Gaguim concentra o maior percentual de votos a favor do governo petista; Alexandre Guimarães fica entre os dois

Em outubro, o eleitor tocantinense terá direito a dois votos para o Senado. Entre os candidatos que buscam uma das vagas estão três políticos que já ocupam cadeiras no Congresso Nacional e, por isso, carregam um histórico que permite ir além das promessas de campanha: Alexandre Guimarães (MDB), Carlos Gaguim (União Brasil) e Eli Borges (Republicanos) exercem mandato como deputados federais.

Os registros de votações da Câmara mostram como cada um se posicionou diante de projetos apresentados e apoiados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, propostas defendidas pela oposição e temas que provocaram forte divisão política no país.

Um levantamento do site Placar Congresso, elaborado a partir dos dados abertos da Câmara dos Deputados, ajuda a dimensionar essa diferença.

Considerando as votações com orientação entre janeiro de 2023 e junho de 2026, Eli Borges aparece como o mais alinhado à oposição entre os três candidatos: 84,1% dos votos considerados pelo levantamento coincidiram com a orientação oposicionista.

No outro extremo está Carlos Gaguim. O deputado teve 29,8% de alinhamento com a oposição e 70,2% com o governo.

Alexandre Guimarães aparece entre os dois: 43,7% de oposicionismo e 56,3% de governismo.

Eli Borges: oposição mais frequente ao governo.

Entre os três deputados candidatos ao Senado, Eli Borges é quem apresenta o histórico de maior alinhamento com a oposição no levantamento.

Foram 323 votos acompanhando a orientação da oposição e 57 acompanhando a orientação do governo, além de quatro obstruções. O parlamentar participou de 76% das votações consideradas.

O comportamento também aparece em votações de forte conteúdo político.

Em abril de 2023, por exemplo, Eli Borges votou contra a urgência do PL 2630/2020, conhecido como projeto de regulamentação das plataformas digitais. Naquela votação, enquanto Alexandre Guimarães votou a favor da urgência, Borges votou contra.

O deputado também construiu parte da atuação parlamentar em torno de pautas conservadoras, especialmente relacionadas à família, religião e costumes.

Carlos Gaguim: maior alinhamento com o governo

O histórico de Carlos Gaguim apresenta um cenário diferente.

Segundo o Placar Congresso, 70,2% dos votos considerados acompanharam a orientação governista, contra 29,8% alinhados à oposição.

Foram 278 votos acompanhando o governo e 118 acompanhando a oposição. A participação nas votações consideradas chegou a 79%.

Um dos exemplos está no novo arcabouço fiscal, apresentado pelo governo Lula para substituir o teto de gastos.

Em maio de 2023, Gaguim votou a favor do texto-base do PLP 93/2023, que instituiu o novo regime fiscal. Os registros oficiais da Câmara mostram que o parlamentar também votou contra a retirada da proposta de pauta, ajudando a manter a votação.

O deputado também participou das votações da reforma tributária e apoiou pontos da proposta durante a tramitação na Câmara.

O histórico coloca Gaguim em uma situação peculiar na atual disputa eleitoral: apesar de integrar uma composição política estadual que reúne candidatos identificados com diferentes campos ideológicos, seus votos em Brasília mostram uma frequência maior de acompanhamento das orientações governistas.

Alexandre Guimarães: entre governo e oposição

Alexandre Guimarães apresenta números mais equilibrados.

No levantamento, 56,3% dos votos considerados acompanharam a orientação governista e 43,7%, a oposição.

Foram 178 votos classificados como alinhados ao governo e 138 à oposição. A participação nas votações consideradas foi de 63%.

Um exemplo ocorreu na votação do novo arcabouço fiscal. Assim como Gaguim, Alexandre votou a favor do texto-base do PLP 93/2023, em maio de 2023.

Já no debate sobre o chamado PL das Fake News, Alexandre e Eli Borges ficaram em lados opostos. Na votação da urgência do PL 2630, realizada em abril de 2023, Alexandre votou “sim” para acelerar a análise da proposta, enquanto Eli Borges votou “não”.

Alexandre também votou favoravelmente ao texto do PL 490/2007, relacionado ao marco temporal para demarcação de terras indígenas, aprovado pela Câmara em maio de 2023.

O voto como cartão de visitas para o Senado

A análise ganha peso porque o mandato pretendido agora é diferente.

Deputados federais são eleitos para quatro anos. Senadores permanecem oito anos no cargo e participam de decisões que não passam pela Câmara dos Deputados.

Cabe ao Senado, por exemplo, analisar indicações para o Supremo Tribunal Federal, autorizar operações financeiras de interesse dos estados e julgar autoridades em processos de impeachment, além de participar da aprovação de projetos de lei e propostas de emenda à Constituição.

Por isso, enquanto a campanha apresenta discursos, alianças e promessas para os próximos oito anos, o histórico da Câmara oferece ao eleitor outro elemento de comparação.

Antes de decidir quem deve ocupar uma cadeira no Senado, é possível olhar para o que os candidatos fizeram quando já tiveram uma cadeira no Congresso.

Fonte: Assessoria Parlamentar (Eli Borges)

Arimatéia Jr.

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