Tom Lyra recebe Medalha Guardião Araguaia e dedica honraria ao rio que faz parte de sua história
Nascido às margens do Araguaia, presidente da ATR afirma que reconhecimento da Casa Militar representa uma das homenagens mais simbólicas de sua trajetória
Há homenagens que reconhecem uma trajetória. Outras parecem reconhecer uma vida inteira.
Foi com esse sentimento que o presidente da Agência Tocantinense de Regulação (ATR), Aldison Wiseman Barros de Lyra, Tom Lyra, recebeu nesta terça-feira, 1º de setembro, a Medalha Guardião Araguaia, concedida pela Casa Militar do Estado do Tocantins durante o Seminário Tocantinense de Segurança de Estruturas Críticas, realizado em Palmas.
Instituída pela Lei nº 4.144, de 12 de abril de 2023, a Medalha Guardião Araguaia é concedida a personalidades e instituições em reconhecimento a ações meritórias e a relevantes serviços prestados ao Estado e às suas instituições. A concessão é de competência do chefe do Poder Executivo, a partir de proposta da Casa Militar e análise de sua Comissão Permanente de Medalhas.
Assembleia Legislativa do Tocantins
Mais do que o metal, o diploma ou a solenidade, porém, há algo nessa medalha que torna o momento particularmente especial para Tom Lyra: o nome Guardião Araguaia encontra-se diretamente ligado à sua própria história de vida.
Tom nasceu em Araguacema, cidade tocantinense às margens do majestoso Rio Araguaia. Foi naquele ambiente ribeirinho que construiu suas primeiras memórias, ouvindo histórias, convivendo com canoeiros e aprendendo, ainda menino, a reconhecer no rio muito mais do que uma paisagem.
O Araguaia, para ele, não é apenas um dos grandes rios brasileiros. É território de memória, identidade e pertencimento.
“Eu nasci na beira do Araguaia. Esse rio faz parte do meu DNA”, costuma dizer Tom. E talvez por isso a palavra “Guardião” tenha adquirido, ao receber a medalha, uma dimensão que ultrapassa qualquer protocolo oficial.
Um livro inteiro dedicado ao Araguaia
Essa relação com o rio também está registrada na literatura.
Em seu mais recente livro, “A Subida – Travessia do Rio Araguaia”, Tom Lyra transformou em palavras uma experiência que nasceu muito antes da escrita: a relação de um homem com o rio que marcou sua infância, sua formação e sua própria maneira de enxergar o Tocantins.
A obra é, sobretudo, uma declaração de amor ao Araguaia e à gente que vive às suas margens.
Por isso, ao receber a Medalha Guardião Araguaia, Tom afirma ter sentido que as duas histórias — a pessoal e a institucional — se encontraram de maneira inesperada.
“Talvez esta seja uma das medalhas mais importantes que eu receba em toda a minha vida. Não apenas pela honraria, mas pelo nome que ela carrega. Ser chamado de Guardião do Araguaia, sendo filho de Araguacema, nascido às margens desse rio, é algo que toca profundamente a minha alma.”
O momento também trouxe lembranças.
“Passou um filme na minha cabeça. Lembrei das canções de José Wilson Leite, das histórias dos canoeiros, das praias, das barrancas e, principalmente, da minha gente ribeirinha. Lembrei de onde vim e de todos aqueles que ajudaram a construir a história da nossa terra.”
Uma homenagem que volta para as origens
Tom fez questão de dividir a homenagem com aqueles que, segundo ele, tornaram possível sua própria história.
A medalha foi dedicada especialmente aos seus pais e avós, que participaram da construção da trajetória familiar no Tocantins.
“Eu dedico essa medalha aos meus pais e aos meus avós, que desbravaram esta terra e me deram o privilégio de nascer às margens desse rio de encanto. Tudo começa ali. Antes de qualquer cargo, qualquer função ou qualquer reconhecimento público, existe o menino de Araguacema, filho daquela terra e daquele rio.”
Agradeceu também ao secretário-chefe da Casa Militar, coronel Francinaldo Machado Bó, pela indicação e pelo reconhecimento, e ao governador Wanderlei Barbosa, responsável pela concessão da honraria.
“Recebo esta medalha com gratidão ao coronel Francinaldo Bó, à Casa Militar, ao governador Wanderlei Barbosa e, sobretudo, ao meu amado Estado do Tocantins. É uma honra que eu não recebo sozinho. Carrego comigo a memória de todos aqueles que vieram antes de mim e ajudaram a construir este Estado.”
O sentido de ser Guardião
A legislação que criou a medalha estabelece que ela reconhece ações meritórias e relevantes serviços relacionados à segurança de autoridades e instituições estaduais. Na prática, a honraria passou a representar também uma forma de reconhecimento a personalidades que contribuem para o fortalecimento das instituições e do serviço público tocantinense.
Assembleia Legislativa do Tocantins
É justamente essa dimensão que torna o momento especial para Tom Lyra.
Ao longo de sua trajetória pública, Tom ocupou diferentes funções na administração estadual e municipal e atualmente preside a ATR, órgão responsável pela regulação e fiscalização de serviços públicos delegados no Tocantins.
Mas, diante da medalha, ele prefere voltar às origens.
“O Araguaia me ensinou que um rio nunca pertence a uma pessoa. Ele pertence a todos. Ele atravessa gerações, histórias e vidas. Talvez por isso eu receba essa medalha muito mais como um compromisso do que como um prêmio. Um compromisso de continuar honrando a minha terra, a minha gente e a memória daqueles que fizeram o Tocantins antes de nós.”
E talvez seja justamente aí que esteja o significado mais profundo da homenagem.
O menino que nasceu na beira do Araguaia recebeu, décadas depois, uma medalha que o chama de Guardião do rio.
E, ao receber a honraria, em vez de olhar para si, voltou os olhos para o rio, para os pais e avós, para os canoeiros, para as canções de sua infância e para a gente ribeirinha que continua vivendo às suas margens. Porque algumas medalhas se colocam no peito. Outras parecem voltar para casa.







