Salário de professores varia quase R$ 8 mil entre estados brasileiros
Um levantamento do Movimento Profissão Docente mostra que os salários iniciais de professores das redes estaduais ainda variam muito no Brasil. Em 2025, a remuneração média de entrada foi de R$ 6.212,36 para jornada de 40 horas semanais, valor cerca de 28% acima do piso nacional vigente naquele ano, de R$ 4.868.
Apesar do avanço médio, o estudo revela um quadro desigual. Os salários iniciais vão de R$ 4.867,77 a R$ 13.007,12, dependendo do estado. A diferença evidencia como a valorização da carreira docente muda de forma expressiva entre as unidades da federação.
O maior salário inicial foi registrado em Mato Grosso do Sul, com R$ 13.007,12. Na sequência aparecem Maranhão, com R$ 8.452,03, Pará, com R$ 8.289,86, Roraima, com R$ 7.700,47, e Mato Grosso, com R$ 7.343,44.
Também aparecem entre os dez maiores valores Paraíba (R$ 6.944,09), Rio Grande do Norte (R$ 6.814,88), Amapá (R$ 6.600,98), Distrito Federal (R$ 6.427,71) e Sergipe (R$ 6.176,76).
Na outra ponta, Rio de Janeiro e Minas Gerais registram remunerações iniciais próximas ao piso nacional, com R$ 4.867,77 e R$ 4.867,97, respectivamente.
Diferença entre salário e carreira
O estudo aponta que o salário inicial pesa na decisão de jovens que avaliam seguir o magistério. Quando a remuneração de entrada é baixa, outras profissões com retorno financeiro mais rápido podem se tornar mais atraentes.
O levantamento também chama atenção para a estrutura de pagamento. Alguns estados, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Alagoas, São Paulo e Rio Grande do Sul, adotam o modelo de subsídio, em que o salário é pago em parcela única, sem gratificações adicionais. O formato dá mais transparência ao valor recebido.
Em outros casos, gratificações e benefícios podem elevar a remuneração. O estudo identificou cerca de 180 tipos de adicionais. Com eles, a média inicial pode chegar a R$ 6.599,46. O problema é que muitos desses valores não entram no cálculo da aposentadoria, especialmente após a Reforma da Previdência de 2019.
Em janeiro de 2026, o piso nacional dos professores da educação básica foi reajustado para R$ 5.130,63, para jornada de 40 horas. O aumento reforça a política de valorização da categoria, mas não elimina as diferenças entre os estados.
O levantamento mostra que escolher a carreira docente no Brasil exige olhar não apenas para a vocação, mas também para salário, modelo de remuneração, condições de trabalho e perspectiva de carreira.
Fonte: Revista Fórum





