Maranhense morre em combate na guerra entre Ucrânia e Rússia, diz família
A família do imperatrizense Leotan Abreu, de 28 anos, informou nesta quarta-feira (26) que recebeu a notícia que o maranhense teria morrido durante um confronto na guerra da Ucrânia contra a Rússia. O jovem deixou o Maranhão após se alistar no Exército ucraniano.
Segundo os familiares, a notícia foi repassada por um colega de Leotan que também está na zona de combate. A família, no entanto, ainda não conseguiu contato com o governo da Ucrânia para obter uma confirmação oficial da morte.
Leotan morava com a mãe, o padrasto e irmãos no povoado Lagoa Verde, na zona rural de Imperatriz. Antes de viajar para a Europa, trabalhava como motorista em uma empresa da cidade.
Imperatrizense na guerra da Ucrânia deixou o Brasil em julho
Leotan pediu demissão do emprego em junho, após receber a confirmação de que havia sido aceito para o alistamento. Sem experiência militar anterior, ele deixou o Brasil no início de julho.
Já na Ucrânia, o maranhense passou por um treinamento e, posteriormente, foi enviado para a região de Donetsk, uma das áreas atingidas pelos confrontos da guerra.
De acordo com brasileiros que também se alistaram nas forças ucranianas, Leotan teria morrido após pisar em uma mina. A informação foi repassada por telefone à família e ainda não possui confirmação oficial das autoridades ucranianas.
O último contato conhecido de Leotan com a namorada, que mora em Imperatriz, ocorreu no dia 17 de agosto.
Jovem relatou em vídeo como decidiu se alistar
Antes de seguir para a zona de combate, Leotan publicou nas redes sociais um vídeo no qual falou sobre a decisão de participar da guerra.
Na gravação, o imperatrizense afirmou que tomou conhecimento do recrutamento por meio de sites de relacionamento e que assistiu a diversos vídeos sobre o assunto antes de decidir se alistar.
A família permanece em busca de informações oficiais sobre o paradeiro e a situação do jovem.
Itamaraty diz que pode prestar assistência consular
Procurado pelo Imirante, o Ministério das Relações Exteriores informou que, por meio da Embaixada do Brasil em Kiev, permanece disponível para prestar assistência consular aos brasileiros que necessitem de apoio.
Segundo o Itamaraty, o atendimento consular ocorre a partir do contato do próprio cidadão ou, dependendo da situação, de familiares.
O ministério ressaltou ainda que casos envolvendo brasileiros alistados em forças armadas de outros países apresentam particularidades relacionadas às obrigações assumidas durante o alistamento e às condições encontradas nas áreas de combate.
Por questões de privacidade, o Ministério das Relações Exteriores informou que não divulga dados pessoais de cidadãos que solicitam serviços consulares nem detalhes sobre eventuais atendimentos prestados.
Itamaraty registra 38 brasileiros mortos no conflito
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro não possui estatísticas sobre o número total de cidadãos que se alistaram em conflitos internacionais, já que o ingresso em forças estrangeiras é uma decisão pessoal e não depende de autorização ou conhecimento prévio do governo federal.
Até o momento, segundo o Itamaraty, há registros de:
- 38 brasileiros mortos no conflito entre Rússia e Ucrânia;
- 96 brasileiros desaparecidos.
Os números são baseados em comunicações oficiais feitas pelos governos da Rússia e da Ucrânia ao governo brasileiro.
Os dados divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores não significam, até o momento, uma confirmação oficial de que Leotan Abreu esteja incluído entre os brasileiros mortos.
Governo brasileiro alerta para riscos desde 2025
O Itamaraty informou também que vem alertando cidadãos brasileiros sobre os riscos de segurança na Ucrânia desde maio de 2025.
Na ocasião, o governo federal publicou um alerta consular recomendando que brasileiros evitassem regiões próximas às frentes de combate.
Em julho de 2025, outro comunicado recomendou que cidadãos brasileiros recusassem ofertas de emprego ou propostas de participação em forças armadas estrangeiras envolvidas em conflitos.
Enquanto não recebe uma comunicação das autoridades ucranianas, a família do imperatrizense na guerra da Ucrânia aguarda informações oficiais sobre a morte relatada pelos colegas do jovem.





