Transnordestina pode trocar Maranhão pelo Tocantins para se conectar à Ferrovia Norte-Sul
O Tocantins pode ganhar uma das conexões ferroviárias mais importantes do país. A Transnordestina Logística, concessionária controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional, apresentou ao Governo Federal uma proposta para ligar a Transnordestina à Ferrovia Norte-Sul pelo município de Guaraí, substituindo o traçado originalmente previsto até Porto Franco, no Maranhão.
A mudança ainda não foi aprovada. O Ministério dos Transportes confirmou que recebeu a proposta e considera a alternativa tocantinense promissora, mas contratará um estudo de viabilidade técnica e econômica para comparar os dois corredores e identificar qual oferece melhores condições operacionais, financeiras e ambientais.
Pelo projeto apresentado, a ferrovia sairia de Eliseu Martins, no sul do Piauí, e seguiria até o pátio ferroviário conhecido como Terminal de Guaraí, conectado à Norte-Sul. Apesar do nome, a estrutura está localizada no território de Tupirama, às margens da TO-336, a cerca de 21 quilômetros da zona urbana.
Novo percurso seria um pouco maior
O trecho entre Eliseu Martins e o Tocantins teria aproximadamente 654 quilômetros. A extensão é 34 quilômetros maior que os 620 quilômetros previstos para o trajeto até Porto Franco. Mesmo sendo mais longo, o percurso tocantinense é defendido pela concessionária como uma alternativa com menor complexidade de construção.
De acordo com os argumentos apresentados pela empresa ao governo, o traçado pelo Maranhão enfrentaria áreas urbanas mais consolidadas, possíveis conflitos fundiários e obstáculos socioambientais. A rota até o Tocantins, por sua vez, poderia evitar áreas de proteção ambiental, terras indígenas, comunidades quilombolas e regiões de relevo mais acidentado, reduzindo a necessidade de túneis e pontes. Essas avaliações ainda terão de ser confirmadas pelos estudos técnicos e ambientais.
O Ministério dos Transportes avalia que a conexão em Guaraí poderia formar um corredor integrado entre a produção agrícola do Matopiba, rodovias, terminais ferroviários e portos do Nordeste. Além de grãos, a estrutura poderia movimentar produtos industrializados e cargas minerais.
Escolha ainda passará por várias etapas
Mesmo que o estudo considere o Tocantins a melhor alternativa, a obra não começará imediatamente. O novo trecho deverá passar por definição detalhada do traçado, estudos ambientais, processo de licenciamento e modelagem econômica. Depois disso, a implantação poderá ser submetida a leilão ou autorizada dentro de outro formato regulatório.
Também não foram divulgados o custo estimado da extensão até Guaraí, as cidades que seriam atravessadas, o prazo de construção nem a localização de eventuais terminais intermediários. Portanto, ainda não existe decisão definitiva nem garantia de que a ligação será efetivamente construída no Tocantins.
Projeto de R$ 15 bilhões
A primeira fase da Transnordestina terá cerca de 1.206 quilômetros e ligará Eliseu Martins ao Porto do Pecém, no Ceará, passando por Pernambuco. O empreendimento possui investimento estimado em R$ 15 bilhões e já havia recebido R$ 9,8 bilhões até março de 2026. A previsão oficial é concluir essa etapa em 2027.
O projeto original, concebido no início dos anos 2000, previa 1.728 quilômetros de ferrovias em formato semelhante a um “Y”, com ramais para os portos de Pecém e Suape. Após sucessivos atrasos, o contrato foi reformulado em 2022, e a concessionária concentrou os investimentos no corredor que segue em direção ao Ceará.
Caso a ligação com Guaraí seja confirmada, o Tocantins passará a ocupar uma posição ainda mais central no sistema ferroviário brasileiro. O entroncamento permitiria a circulação de cargas entre o Nordeste, o Centro-Oeste, o Sudeste e os portos do Arco Norte. Por enquanto, porém, trata-se de uma proposta em análise, cujo avanço dependerá dos estudos e das decisões do Governo Federal.
Por Conteúdo AF Notícias





