Universidade cria motor elétrico solar para barcos ribeirinhos
Patenteada no Inpi, inovação do grupo Gedae substitui rabetas a gasolina por sistema limpo e de baixo custo, reduzindo impactos ambientais na Amazônia
A Universidade Federal do Pará (UFPA) desenvolveu um sistema de propulsão elétrica para pequenas embarcações na Amazônia, movido a energia solar. A tecnologia, que acaba de obter registro de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), foi idealizada pelo Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae).
O equipamento surge como uma alternativa verde aos tradicionais motores de rabeta movidos a combustíveis fósseis. Projetado para as demandas da região, o sistema foi testado em cascos de madeira e alumínio na Ilha das Onças, em Barcarena, na Região Metropolitana de Belém.
Nos ensaios fluviais, atingiu velocidade média de 10,6 km/h e máxima de 14,1 km/h, com autonomia de bateria estimada entre 45 e 60 minutos — ideal para deslocamentos locais e pesca artesanal.
A principal inovação desta versão é a integração de uma caixa de redução que conecta o eixo do motor elétrico à rabeta por meio de polias e correia. Segundo o professor Wilson Negrão Macêdo, pesquisador do Gedae, esse mecanismo permite que o motor opere com eficiência máxima sem superaquecer.
Além disso, funciona como uma proteção inteligente: caso a hélice atinja troncos ou vegetação submersa, a correia desliza, evitando o travamento mecânico, atenuando ruídos e prolongando a vida útil do motor.
Detalhe da inovadora caixa de redução do sistema da UFPA, que otimiza o desempenho e protege o motor elétrico contra impactos nos rios.

Detalhe da inovadora caixa de redução do sistema da UFPA, que otimiza o desempenho e protege o motor elétrico contra impactos nos rios.
Com desempenho comparável às rabetas a gasolina de 4,5 a 6,5 cavalos (HP), o modelo elétrico traz facilidades de direção inéditas para os ribeirinhos, incluindo resposta imediata de aceleração e a conveniência da marcha à ré, mantendo o formato de instalação já conhecido pelos usuários.
Para a Amazônia — onde os rios são as principais estradas — o impacto ambiental e financeiro é transformador. O motor elétrico zera a emissão de carbono, evita o derramamento acidental de óleo nos igarapés e elimina a poluição sonora.
A recarga das baterias de lítio ocorre em estações solares fotovoltaicas que podem funcionar desconectadas da rede elétrica (off-grid), garantindo soberania energética para comunidades isoladas. O sistema também corta os pesados gastos mensais das famílias com gasolina e manutenção mecânica.
Com a patente da invenção (BR 102025013842-5) consolidada, o próximo passo do Gedae é buscar parcerias com o setor privado. O objetivo é viabilizar a transferência de tecnologia, produzir o equipamento em larga escala e implementar projetos-piloto em outras localidades do estuário amazônico, tornando o acesso à mobilidade sustentável uma realidade de custo acessível na Região Norte.






